Zodíaco
Essa poderia ser uma pergunta-chave se este fosse um filme tradicional de serial killer. Não é.
O passado no mercado de publicidade e de videoclipes fazem parte da carreira do diretor David Fincher. Após a estréia em Alien 3, criticado por muitos e elogiado por outros (estou nessa lista), se firmou com Seven - Os Sete Pecados Capitais e, de lá para cá, fez alguns trabalhos com repercussão como Clube da Luta e O Quarto do Pânico. Em Zodíaco, seu estilo está presente nos enquadramentos, nos movimentos - e escolha - de câmera e até mesmo na edição.
A abertura do filme dá o tom quando antes das imagens você lê o tradicional "baseado em fatos reais..." tão comum em telefilmes, mas pouco usual no cinema. Em seguida, fogos estourando, a música do filme Hair e a informação de que estamos em 1969 situam você no tempo e no espaço, quando um casal de jovens é assassinado por um misterioso piloto de um clássico Mustang. A cena dos tiros é forte e a ligação para a polícia é pura provocação.
Daí em diante, você tem a todos os elementos necessários para ficar preso na poltrona: um crime, um clima e uma grande dúvida.
Entre as máximas do misterioso assassino, verdadeiras pérolas negras como "Gosto de matar pessoas porque é muito divertido", "o homem é o mais perigoso de todos os animais", e a mais assustadora de todas, dita para uma mãe dentro de um carro: "Antes de matar você eu vou jogar seu bebê pela janela."
As facadas desferidas no crime do lago impressionam muito pelo realismo. Não recordo de ter visto nada parecido. E quando você se lembra que as cartas cifradas, as ameaças e as mensagens escritas com sangue na porta de um carro, por exemplo, são coisas que aconteceram de verdade é impossível não entender o pânico que tomou conta de San Francisco na época e que foi tão bem explorado - claro - pela mídia que adora um sensacionalismo. O assassino também sabia disso.
Robert Downey Jr. e Jake Gyllenhaal estão bem em seus respectivos papéis. Entre as curiosidades, a aparição do cartaz do clássico da década de 70 Dirty Harry, de Don Siegel, estrelado por Clint Eastwood e do famigerado game Tele-Jogo na tv (esse era o nome no Brasil). Entre os pontos negativos, a duração (mais de duas horas e meia!) e o excesso de créditos inseridos ao longo do filme, com datas e horários que podem fazer você se perder.
Mas nada é mais cruel do que saber que o mal triunfou.