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por Roberto Cunha

Separados pelo Casamento - A Arte Imita a Vida

Grande parte das pessoas antenadas no mundo da TV e cinema sabem que a dupla de protagonistas deste filme, Vince Vaughn e Jennifer Aniston, estão casados na vida real. E se você não fazia parte deste time, seja bem-vindo. Dito isso, é hora de observar Separados pelo Casamento pela ótica do famigerado "vamos discutir nossa relação", independente do sexo, cor, raça ou crença. Portanto, estão lá - picuinhas à parte - todos os elementos responsáveis pelos bons e maus momentos da vida a dois.

A direção ficou a cargo de Peyton Reed (Abaixo o Amor e Teenagers - As Apimentadas), que mais uma vez não fez sua obra-prima. O filme é honesto. No elenco, a presença de nomes pouco conhecidos do grande público, como Joey Lauren Adams (Procura-se Amy) no papel de Addie, a amiga "ombro direito" de Brooke, a personagem de Jennifer Aniston. Além dela, dois atores atuantes na tv americana rendem bons momentos como a hilária seqüência de Richard (John Michael Higgins), irmão de Brooke, cantando a capela um hit do grupo Yes e Johnny O (Jon Favreau) emitindo opiniões e conselhos "machões" para o amigo Gary (Vince Vaughn). Ann-Margret (já viveu seus tempos de musa) e Vincent D´Onofrio fazem uma ponta como mãe e cunhado de Aniston, respectivamente.

O filme começa durante um jogo de beisebol, uma das paixões de Gary, com uma improvável cantada para cima de Brooke a base de cachorro-quente?! Você acredita? E a abertura vem em seguida, mostrando que deu certo, com uma série de fotos do casal em várias situações que podem ser fictícias ou reais. E essa dúvida até que ficou legal. Se a ficha caiu e você não está com aquela sensação de que quebrou a cara ao sentar na poltrona, vai aceitar com mais facilidade o quem vem pela frente. Vale lembrar que o argumento e a produção são do próprio Vince Vaughn.

O primeiro "arranca-rabo" que o espectador entra em contato foi provocado por uma dúzia de limões (a curiosidade aqui fica por conta do número do "ap" deles, que é 12B) e depois por causa de uma mesa de sinuca. Daí em diante mistura tudo num verdadeiro balaio de conflitos envolvendo louças, flores, balé, machismo, banheiro bagunçado, o famoso "faço por você" e por aí vai. Clichê demais, mas aceitável. O timing de TV de Aniston ajuda na hora do diálogo ping-pong e isso fica claro nas discussões do casal. Para os fãs, claro, vale também a sua singular beleza que enfeita a tela grande.

Os exageros são muitos, mas a briga no jogo de boliche ultrapassou todas as barreiras de tão infantil. E aí você descobre que eles estão casados há apenas dois anos. Imagine como seria na famosa crise dos sete anos? Daí em diante a adolescência cresce e eles transformam o apartamento em território de guerra. Um verdadeiro campo minado. Ou seria mimado? O que salva - mais uma vez - é outro momento envolvendo o irmão de Brooke cantando com o grupo no quarto (território) dela. E tem também o momento que Brooke recorre a um recurso sui generis (sugerido por uma chefe hilária) para recuperar o maridão: dar um "trato" na região central com uma tática denominada Kojak. Precisa explicar mais?

A trilha é boa (tem música brasileira!), mas o pessoal comeu moscas em dois momentos que a música some literalmente quando entra diálogo.

De resto é isso. Fica aquela sensação de superficialidade no roteiro por mais que o argumento seja batido. Faltou mais drama para tornar convincente a falta que cada um faz ao outro. E o reencontro é o ponto de partida para você ficar sabendo que vai começar tudo novamente. Mas se você acha que relacionamento é basicamente assim: casa e separe e casa. Aí é com você. Aproveite!

 
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