Poseidon - No Balanço do Mar
Analisar filme que já foi feito anteriormente não é tarefa das mais simples. Você esbarra em vários fatores e acaba tendo uma tendência a comparar esse com aquele e vice-versa. Como o mercado mundial vem fazendo sucessivas refilmagens, fica difícil escapar desta missão. Sendo assim, seja bem-vindo a bordo do Deus do Mar e descubra "o destino de Poseidon" (título do original).
Com um elenco de conhecidos reduzido, já que se trata de um filme catástrofe (recorrente na década de 70 e 80), a abertura da produção é eficiente ao inserir os créditos - poucos nomes - durante um travelling pelo grandioso transatlântico que é, de certa forma, o ator principal no papel de antagonista. A curiosidade aqui fica por conta da presença da cantora do grupo pop Black Eyed Peas, Stacy Ferguson.
O roteiro para lá de previsível (não só porque é refilmagem) parte logo para a ação e o navio enfrenta uma onda gigantesca. A seqüência do acidente é bem feita e tem cenas fortes. Contudo incomoda a naturalidade pós-naufrágio que toma conta dos sobreviventes - até uma criança - quando passam pelos mortos. O garçom boa gente também é surreal, apesar de ser necessário para a sobrevivência de um dos protagonistas da história, vivido por Richard Dreyfuss do clássico Tubarão. Ainda falando do roteiro, você irá encontrar um Kevin Dillon para lá de canastrão no papel de um "bebum" canalha e que fará brotar uma das sub-tramas (?) do filme, que é a difícil relação de um pai recalcado (Kurt Russell) por ter sido herói no passado, mas incapaz de salvar a própria esposa, com sua filha (Emmy Rossum de O Dia Depois de Amanhã), que já quer ser mulher ao lado do namorado.
As cenas de inundação são constantes e de certa forma brutais, com doses realistas de violência visual e sonora. Muitos momentos são claustrofóbicos e contribuem para o desempenho da história que é - acima de tudo - a luta pela sobrevivência. Claro que momentos absolutamente impossíveis teriam que aparecer para fazer você se tocar que está vendo um filme. Entre eles, a hora que uma criança consegue afrouxar parafusos no improviso. Outra desse quilate no filme levaria tudo - perdão pelo trocadilho - por água abaixo. Felizmente foram poucos, como o fôlego de campeão de Josh Lucas (Ameaça Invisível - Stealth e Doce Lar) e de todos, que deve ter feito os mergulhadores que praticam apnéia morrerem de rir. Já os clichês tradicionais também não poderiam deixar de aparecer. Então estão lá as seqüências heróicas desnecessárias - e pouco realistas - e os diálogos toscos do tipo 'diga que me ama'.
Destaque positivo para o momento dramático da mãe com o filho, que deve provocar agonia de verdade em muito espectador. O negativo fica por conta do rafting bobo que os heróis fazem na hora que o bichão vai a pique de fato.
Trilha boa, fotografia legal e ritmo perfeito. Wolfgang Petersen, com experiência de Mar em Fúria e Força Aérea 1, poderia ter extraído mais da história. Do jeito que ficou os dramas foram todos passageiros, mas ainda assim vale o programa - principalmente - para quem não viu o original.