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por Roberto Cunha

O Plano Perfeito - A Trama Também

A abertura de um filme diz muito a seu respeito. Em O Plano Perfeito o close fechado em Clive Owen, o protagonista da história, é mais do que perfeito. O texto é seco, duro e tem o único objetivo de provocar você diante daquela cena inusitada que finaliza com "a questão" de ninguém menos do que Shakespeare. Agora é tarde: estás diante de uma grande charada. E vai querer descobrir.

Se você não é fã do diretor Spike Lee não tem problema. As marcas indeléveis deixadas por ele no cinema mundial continuam presentes, mas esta produção tem um toque, ou talvez o tema, mais comercial que outras do diretor. As citações são correntes. De Um Dia de Cão, de Sidney Lumet, ao 11 de Setembro que abalou as estruturas do poder. Tudo está ali, inserido em cada diálogo ou cena do filme.

E assim você passeia rapidamente por Nova York - claro - e se vê diante do poder econômico representado pelo grande Touro de Wall Street, placa de bronze de um banco, dos centuriões de pedra, da efígie na moeda e da tradicional águia americana. Money Talks, já diria o bordão do capitalismo.

Mas ação é o que não falta. E ela começa logo para não deixar você respirar e pensar nos motivos de um assalto ousado e com reféns. Dinheiro? Poder? Os dois juntos? Talvez.

Lee urdiu uma trama muito bem feita e não linear. Através de depoimentos "futuros" inseridos no presente ele vai costurando a história e dando a você dicas para matar a tal charada. E cabe ao policial/negociador interpretado por Denzel Washington tentar salvar os reféns e entender o que poderia estar na cabeça do assaltante vivido por Clive Owen. Ainda no elenco, Jodie Foster no papel de uma advogada sem escrúpulos, Willem Dafoe apagado como um policial e Christopher Plummer vivendo o dono do banco.

As críticas ácidas não poderiam ficar de fora. Mesmo sendo diferente, trata-se de um legítimo Spike Lee. E dentro do contexto do filme elas aparecem aos montes. Os problemas de raça e etnias a todo instante. Brancos, negros, árabes, Sikhs, russos, albaneses, armênios, israelitas. Não sobra pedra sobre pedra. Basta dizer que o personagem de Foster chama-se Ms. White.

E tem mais coisas legais durante os mais de 120 minutos de filme. O deboche é latente. Imagine um criminoso dentro da caixa forte sentado num "banco" de notas, jogando com criança - e criticando - videogame violento. A influência negativa do rap nas crianças do Brooklyn, "Serpico" (Lumet novamente), seios siliconados, entrega de pizza (não poderia faltar), a indústria das multas, comunismo x capitalismo, nazismo, etc. Até o merchandising escancarado da Dell foi debochado. São caixas de papelão na prateleira de um depósito.

Trilha perfeita, enquadramentos e edição competentes.

Programa garantido. Vale cada centavo investido. Boa diversão.

 
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