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por Roberto Cunha

Piratas do Caribe - No Fim do Mundo

Com uma abertura pesada - seqüência de enforcamentos, incluindo uma criança(?!) - a nova aventura de Jack Sparrow não começa. Isso mesmo. Pode até parecer estranho para você, mas a verdade é que o filme, agora trilogia, que botou muito dinheiro no bolso de Johnny Depp quase não tem Sparrow. E quando tem, tratam de compensar a presença de anti-herói trapalhão com clones e mais clones. Isso ajudou? Nem um pouco.

A surpresa maior é quando você descobre que, neste filme, Davy Jones é o cara. E que cara. Líder de uma trupe de tipos - todos do mar - pra lá de bizarros, Jones ganha corpo e alma. Só falta o coração. Chato é descobrir que Sparrow é mero coadjuvante. E essa é a nova aventura. É do Caribe.

Com direito a inúmeras cenas bobinhas e forçadas como o casório em plena batalha, Piratas diverte mesmo assim por uma característica que está no DNA dos primeiros filmes: a diversão trash. É engraçado - e oportuno, por exemplo, ver o anão dar um tiro com um trabuco e voar para trás. E a dupla Pintel e Ragetti (+ o mico Jack) continuam impagáveis e podiam ter sido melhor aproveitados. E as piadinhas de Barbossa e Sparrow ainda rendem sorrisos. Louvável a crítica aos políticos. Então o filme é bom? "Massunmenos".

O terceiro filme da série peca pelo excesso. De tempo e de efeitos especiais. Na verdade, já que estamos falando de piratas, a verdadeira maldição neste episódio foi perder o foco no conteúdo. Até porque não tendo Sparrow como protagonista essa opção poderia ser uma alternativa. Não foi. Transformar a feiticeira em uma deusa do mar chamada Calipso para apresentar uma história de amor impossível com Davy Jones era até bacana. Mas os caras se perderam. Enfiaram no baú - não no do Sílvio Santos - o coração de Jones e pronto. Foi apenas mais uma oportunidade para Sparrow aparecer. E nada mais. Que pena. Amores impossíveis sempre rendem algo mais.

Sumiram com Calipso, com a história de amor e só sobrou uma batalha alucinante de tirar o chapéu. Só sobrou o barco Flyng Dutchman e sua indefectível tripulação, agora capitaneado por Will Turner (Orlando Bloom). Em tempo: valeu a citação do bom e velho faroeste no encontro entre piratas no banco de areia. Sergio Leone agradece. Não é o fim do mundo.

 
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