Navio
Fantasma
O que estaria
por trás do sucesso deste filme de terror? A necessidade
de sentir medo? A falta de programa melhor? Ou um gosto realmente
pouco seletivo dos espectadores? O fato é que Navio
Fantasma segue em cartaz pelo país e faturando.
É um fenômeno ver filmes com mais conteúdo
partindo das grandes praças para deixar lugar para
produções como essa.
Se você
ainda não viu, não corra para ver. Mesmo que
você não goste do gênero, é importante
que saiba que o filme é assustador de verdade. O único
detalhe é que o que assusta mesmo é a capacidade
que os produtores americanos e os estúdios têm
de "torrar" uma montanha de dólares e alguns
bons metros de película. E quando se pára para
pensar na penúria que muitos produtores devem passar
- no Brasil isso acontece direto - para conseguir uma graninha
para tirar um projeto do papel é que o "terror"
toma conta do espectador mais exigente.
Não
se trata de má vontade não. Está tudo
mesmo e você consegue identificar isso logo de
cara, na abertura. A música é triste, os créditos
de uma breguice ímpar - tem telefilme que faz melhor
- e a sequência em que os passageiros e tripulantes
são fatiados durante o baile é bizarra. A impressão
que se tem é de uma competição com os
Jasons, Michael Myers e Freddy Kruegers da vida. Assim, optaram
por "chocar" os espectadores com uma cena forte.
Mas forte mesmo é a paciência necessária
para aguentar até o fim. Depois da sequência
"sessão de frios" do supermercado, os espectadores
vão conhecer os heróis do filme, que são
uma espécie de caçadores de recompensa, só
que marítimas. O tal grupo especial de resgates é
apresentado da forma usual para a turma da poltrona e assim
as características de cada um deles passam a ser conhecidas.
O mais
surpreendente do filme não é a história
para lá de tosca. É a presença de Gabriel
Byrne no elenco que mais impressiona. Como é que pode
ele ter topado participar de um naufrágio cinematográfico
como esse? A propósito, a tal história se passa
num navio que estava desaparecido há muito tempo e
que - tudo indica - foi encontrado por um piloto durante um
vôo sobre o oceano. Nossos heróis foram lá
conferir de perto o que poderia ter de interessante neste
misterioso navio. Dispensável dizer que nos mesmos
- e ridículos - moldes dos filmes de matança
"sanguinolenta", cada um vai encontrando seu fim.
Mais previsível impossível. E você não
precisa ser "pós-graduado em Sexta-feira
13" para adivinhar o que vai acontecer.
Por essas
e por outras é que o filme não tem a menor condição
de assustar alguém. Se o fez, foi por distração
e não por roteiro bem amarrado. Cenas previsíveis,
sustos mais ainda e o saldo final é a sensação
de que abandonado mesmo está você - e não
o tal navio - diante de tamanha falta de bom gosto. Se tinha
algo desaparecido para ser encontrado, deve ser o bom senso
dos espectadores para não assistir filmes desse quilate.
Se você acha que ainda não se assustou de verdade,
repare nos créditos: o filme é produzido por
Robert Zemeckis! Um nome que fez muito pelo cinema, mas deve
estar padecendo de algum mal para participar de uma canoa
furada como essa. E se mesmo assim você ainda quer embarcar
nessa, bom passeio! O enjôo é garantido!
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