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por Roberto Cunha

Marcas da Violência
Flertando com o cinemão


David Cronenberg tem seu lugar na história do cinema com a "marca" indelével de seu estilo pungente/escatológico/violento. Marcas da Violência não é diferente. Logo no início você já tem uma prévia do que está por vir e é surpreendido de cara. E o interessante é o rumo que a trama ganha, envolvendo o espectador.

Quem lembra do diretor pela escatologia do clássico A Mosca, por exemplo, não perde por esperar. Tem menos cenas bizarras, mas elas estão lá. Destaque para a cena do nariz (só vendo - na hora - para entender). Agora, se você já pensa em momentos ou descobertas densas como em "Gêmeos - Mórbida Semelhança", a história reserva seu naco de suspense e reviravoltas. E os enquadramentos e tomadas diferenciadas também aparecem ao longo da trama. O tema é forte e você, provavelmente, irá se tornar cúmplice de algumas barbaridades.

O elenco tem nomes conhecidos do grande público como Viggo Mortensen (O Senhor dos Anéis), Ed Harris (lembrando um pouco seu enigmático personagem de Uma Mente Brilhante) e William Hurt de inúmeros sucessos. Maria Bello (mais conhecida por aqui pela série "Plantão Médico") também faz parte da equipe e todos, sem exceção, cumpriram bem seus papéis. As cenas de sexo do casal são cruas. Não existe muito preparo e o resultado beira o realismo, exceto pela "síndrome do orgasmo rápido" que assola todos os filmes - nestes momentos - de uma maneira geral. O que é uma pena.

Para os cinéfilos de plantão, talvez o fato que chame mais a atenção é o namoro nas cenas de ação - mesmo que velado - com o "cinemão". Elas são comerciais, mas não comprometem a obra. Criticar a voracidade da mídia foi interessante, mas muito pouco explorado. Aparece e some com a mesma rapidez. E isso incomoda um pouco. Poderia ter conseqüências mais vigorosas.

Mas fique tranqüilo. É um filme mais direto que o normal, mas a força (perdoem os fãs de Guerra nas Estrelas) está lá. Trata-se de um legítimo Cronenberg que - literalmente - o passado condena.
 
Saiba mais sobre "Marcas da Violência".

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