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| Panorâmica |
por
Roberto Cunha |
A Liga Extraordinária Não Cola
Esse poderia ser o subtítulo desse recente lançamento
de Hollywood pelas terras brasilis. Apesar de contar no elenco
com o peso-pesado Sean Connery, sobram efeitos e falta magia
nesta produção.
O que dizer da mistura de personagens ilustres e mundialmente
admirados numa mesma história de aventura? Fantástico!
Pois é exatamente isso que o espectador sente nos primeiros
minutos do filme. Só que o dissecador de roteitos Syd
Field já alardeou em sua obra que os dez primeiros
minutos indicam para onde vai a história, mas ele não
diz como ela vai acabar. Sobrou para quem estava na sala escura
em companhia de Allan Quatermain, o Homem Invisível,
Dorian Gray, Capitão Nemo, Dr. Jekyll e Mr. Hyde, Mina
Harker e Tom Saywer - colocado na marra na idéia de
Alan Moore - para agradar aos americanos. Depois da tradicional
introdução dos inúmeros e ilustres personagens
na grandiosa aventura, sobrou pouco para se ver.
O roteiro capengou até o fim numa sequência (?)
de cenas de ação repletas de efeitos especiais,
sobrando pouco espaço para a riqueza de cada elemento
da trama. Os atores estavam bem em seus respecitvos papéis.
Peta Wilson (Mina) acostumada a fazer "tipo" no seriado "La
Femme Nikita", saiu-se bem no papel de vampira, mas foi
pouco explorada. Stuart Townsend no papel do dândi Dorian
Gray fez bonito e Sean Connery tratou de colocar o seu inglês
"sibilante" a serviço da obra para o grande não
ter dúvidas que Quatermain era ele e não Richard
Chamberlain. Aliás, você já tinha notado
a rima nos nomes Quatermain e Chamberlain?
Como sobram efeitos especiais, fica difícil não
falar da animação responsável por dar
"vida" a Mr. Hyde. Ela é muito falsa e deixa o filme
com um aspecto muito tosco. O Nautilus do capitão Nemo
é um caso a parte e merece destaque. A incrível
fábrica do personagem M, clara alusão ao famigerado
inventor da série 007, também deve ser apontada
como ponto alto. A trilha sonora de Trevor Jones (Do
Inferno) é honesta, mas em nada acrescenta para
a obra do diretor Stephen Norrington (Blade)
que também parece ter conduzida tudo com uma certa
mão frouxa.
O saldo final é decepcionante. Se a idéia era
pegar fortes elementos para fazer um forte liga e prender
o espectador na poltrona do cinema, a fórmula não
deu certo. A Liga não cola. |
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