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| Panorâmica |
por
Roberto Cunha |
King
Bomb
Precisa
ser mais explícito do que o título? Pois bem,
o segundo remake de King
Kong oriundo das mãos do - agora - mago do cinemão
americano é um aglomerado de cenas coladas. E só.
Quer saber mais? O porquê dessa afirmativa?
Peter Jackson mostrou seu talento quanto realizou, no passado,
algumas pérolas da sétima arte como o cultuado
Fome
Animal e o belíssimo Almas
Gêmeas, que poderia ter revelado Kate Winslet
ao mundo mas isso só aconteceu de verdade com Titanic.
Então, por que essa nova produção é
tão ruim? Uma possível resposta seria o dinheiro.
Mordido pela fama conquistada com o sucesso da trilogia
baseada na obra de Tolkien (O
Senhor dos Anéis), Jackson tem crédito
- e grana - de sobra para enfiar numa produção
e isso é realmente um grande problema.
Todos os elementos de um filme tradicional estão
lá. Apresentação dos personagens, os
dramas dos mesmos, blá blá blá. Contudo,
o roteiro é sofrível. Por exemplo, encontrar
a atriz exata para vestir um tamanho de roupa exato na exata
hora que você precisa na porta de um "inferninho"
e - pior - identificá-la pelo reflexo de um vidro!?
É forçar demais a barra. E isso aconteceu
com o cineasta tresloucado interpretado por Jack Black,
protagonista da história ao lado da bela (Naomi Watts)
que será seduzida pela fera (Andy Serkis). Daí
em dianteé uma sucessão de eventos que se
perdem numa aventura surrealista que deixaria o bigode de
Salvador Dali ainda mais em pé.
Jackson teve a coragem de misturar "Indiana Jones", Titanic,
Alien,
"O Ataque dos Vermes Malditos" (trash total), Parque
dos Dinossauros e um monte de filmes de ação
que revelam heróis bons de pontaria. E ação,
repleta de mentiras absurdas, é o que não
falta em três longas horas de duração?!
Só pode ser algum tipo de "síndrome de Senhor
dos Anéis". Nada explicaria tamanha insanidade sem
conteúdo. Faz lembrar Roland Emmerich, do sucesso
Independence
Day, que também se perdeu no remake do clássico
Godzilla.
Para não ficar parecendo que o filme é tudo
de ruim, as citações são interessantes,
como RKO (estúdio orginal), Fay Wray (atriz do original),
Orson Welles, Ed Wood, merchandising da Universal (atual
estúdio do filme) inserido em Nova York, entre outros.
Os efeitos especiais estão perfeitos, mas o excesso
revelou um homem a serviço da tecnologia e não
o contrário, como deveria ser. Nova York da depressão,
dinossauros (T-Rex & cia), morcegos e uma infinidade
de insetos e monstros bizarros foram bem concebidos, mas
nada além disso.
Destaque negativo para as falhas nas
proporções de tamanho da bela nas mãos
da fera em vários momentos. Em alguns deles, a diferença
é gritante. Repare no alto do Empire State. Com a
câmera subjetiva do biplano (os clássicos aviões
assassinos que fizeram o mundo chorar no original) você
enxerga uma bela maior que uma janela do edifício.
É difícil.
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