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| Panorâmica |
por
Roberto Cunha |
A
Herança de Mr. Deeds
Adam Sandler é um fenômeno. Pelo menos nos Estados
Unidos, isso é incontestável. O carisma que
o ator exerce sobre o público é mesmo impressionante,
a ponto de transformar filmes simples como este em um mega
sucesso. Esta é a segunda dobradinha de Sandler com
o diretor Steven Brill. Os dois trabalharam antes em Little
Nicky - Um Diabo Diferente, mas diferente mesmo foram
os mais de US$ 125 milhões que Deeds
faturou por lá.
A história não chega a ser inovadora. Deeds
é um caipira que vive bem numa pequena cidade, onde
é dono de uma pizzaria e é admirado por todos.
Feliz na vida mas triste no amor, nunca encontrou alguém
que pudesse realmente convencer o coração matuto
a se entregar. Sua "terapia" é criar cartões
com mensagens poéticas, rimadas e que um dia ele sonha
em ver estampadas nos produtos da tradicional Hallmark. Sem
dúvida alguma um senhor merchandising, mas bem encaixado
na trama. Até que um dia ele descobre que herdou uma
verdadeira fábula de dinheiro e o espectador toma consciência
de que está diante de uma fábula moderna, com
direito a príncipe, vilões e princesas.
Tudo é bem pastelão e pueril, por isso a garotada
curte demais. O herói bate no vilão, mas não
machuca. É uma violência diferente que remete
bastante a seqüências de "Os Três Patetas",
"Abott & Costello", "O Gordo e o Magro", entre outros
no estilo. Assim é o humor de Sandler, pelo menos nesse
filme. Então o que se vê são os vilões
tentando passar a perna no pobre caipirão e ele, por
sua vez, conquistando as pessoas à sua volta - e na
poltrona - com o seu jeitão. Certamente você
já está cansado de ver esse tipo de trama, mas
o resultado agrada bastante porque a direção
é habilidosa, o elenco está bem, a edição
bem feita e a trilha com músicas moderninhas ajuda
um bocado.
Se você achava que estava faltando uma mocinha para
virar a cabeça do herói, ela existe. Quem interpreta
o papel duplo de mocinha e vilã - parece até
que a arte imitou a vida - é a polêmica Winona
Ryder, atualmente às voltas com a Justiça porque
cismou de levar uns presentinhos sem pagar. Em termos de roteiro,
o que mais incomoda é a facilidade com que Deeds lida
com a fortuna que herdou. De certa forma, dá até
para dizer que torna-se inverossímil em alguns momentos,
mas como a proposta do filme é divertir, o melhor é
relaxar e aproveitar os vários momentos engraçados.
Destaque para a participação inusitada do polêmico
astro do tênis, John McEnroe, como ele mesmo, para Steve
Buscemi como o amigo Crazy Eyes, um personagem bizarro e divertido,
e para o "pé preto gangrenado" de Deeds. Uma verdadeira
loucura! Também foi uma grata surpresa ver John Turturro
fazendo um papel tão descomprometido. Se você
gosta de curiosidades, Rob Scheneider faz uma ponta no filme,
assim como Sandler fez no seu, O
Animal. Explica-se: os dois são amigos e costumam
dar aquela força um para o outro.
A moral da história é um misto de amor e amizade
temperado pelo podre poder da mídia de deturpar tudo
quando interessa aos barões da comunicação.
No Brasil, essa prática ainda é bastante utilizada
e o público conhece, mas ainda cai com um patinho.
Trocando em miúdos, pode ir sem medo de ficar feliz.
A
Herança de Mr. Deeds vale o ingresso. |
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