Firewall - Segurança em Risco - Mas o Risco é Calculado
O aviso é importante: quem é fã de Harrison "Indiana Jones" Ford pode não gostar de Firewall. O motivo é óbvio ululante: não se trata de uma aventura de época e o herói se dá mal o tempo todo. Dito isso, agora é teclar "enter", para ficar no clima do filme, e extrair o que ele tem de melhor.
A pergunta que você pode estar fazendo agora é: mas dá para gostar de um filme que o protagonista se dá mal direto e ainda por cima apanha sem parar? Até que é possível. Está certo que um monte de gente torceu o nariz para a incursão de Ford neste universo moderno de TI (tecnologia e informação). Dá para entender. Mas não precisa ser tão cruel a ponto de destruir até o último centímetro de película só porque ele não encarnou o papel que tanto agradou no passado.
Assim, Firewall usa e abusa da tecnologia para prender o espectador na poltrona. E consegue, misturando uma série de elementos já familiares ao grande público - até mesmo no Brasil - como GPS, Ipod (tremendo merchandising!), laptops com conexão sem fio, entre outros. E isso dá um certo tom de cumplicidade para os iniciados. Algo como: "eu sei que dá para fazer isso" ou ainda "agora ele vai fazer aquilo".
O personagem de Ford trabalha com sistemas de segurança de um grande banco e se vê diante de uma trama muito bem amarrada, para ser forçado a praticar um roubo milionário usando a tal tecnologia. Para que isso aconteça sua família foi seqüestrada, mas com promessa de final feliz. O que pode irritar um pouco o pessoal da poltrona é a falta de bom senso do protagonista em alguns momentos que tenta se desvencilhar dos bandidos. Fora isso, dá para aturar os muitos minutos de agonia na corrida contra o relógio.
O roteiro costurou vários elementos de suspense para conduzir ao esperado clímax e conseguiu até dar uma pequena - e sutil - reviravolta perto do final. Mas a direção de Richard Loncraine foi burocrática, sem acrescentar nada de novo. Ah! Se você se deleitou com o movimento grunge vai descobrir que Seattle além de música tem muita chuva. Aliás, o fato curioso fica por conta disso. Não deu para entender o porquê de tanta água, já que este recurso é muito utilizado em filmes que abusam dos efeitos especiais e está longe de ser o caso de Firewall. Voltando para a música, a trilha previsível deixa a cama bem feita para o andamento do filme e, se não ajuda, também não atrapalha.
No elenco, além de Ford, a presença de Paul Bettany (o amigo de Russel Crowe em Uma Mente Brilhante), que estará no esperado "O Código Da Vinci", e Virginia Madsen, indicada ao Oscar por Sideways - Entre Umas e Outras, mas provavelmente é mais conhecida por seu passado estrelando vários telefilmes, onde sua sensualidade era explorada. Programa razoável. É mais do que uma Sessão da Tarde.