O
Exterminador do Futuro 3
Assistir
uma sequência é - quase sempre - sentar na poltrona
achando que vai rever o filme anterior com alguns detalhes
a mais. Com a série O Exterminador do Futuro
não foi diferente: T3 é um
verdadeiro caça-níqueis.
E os mais
exigentes podem perceber isso logo no começo. Depois
de uma abertura com a música-tema para dar o clima,
com imagens bem elaboradas, efeitos especiais e mais aquela
horda de máquinas destruidoras, o espectador descobre
que quem está narrando é John Connor, só
que agora interpretado por Nick Stahl, sem a metade do carisma
de Edward Furlong.
A chegada
de uma máquina do futuro é precedida por aquela
parafernália de efeitos especiais e acontece numa vitrine
de moda feminina. É a deixa para a debutante Kristanna
Loken (T-X) dar as caras - e mostrar o corpo - andando nua
pela rua. Em seguida começa a primeira sequência
automobilística, eternizada por William Friedkin em
Operação França. Depois
é a vez de Arnie. O famigerado T-800 retorna próximo
a um lugar sui generis para arrumar uma roupa: um show para
mulheres. Até que foi engraçado assistir ele
experimentando um óculos "exagerado" do "moço"
que fazia strip-tease para as moças. Mas soou estranho
ver tamanho deboche num personagem que marcou época
no cinema. Seria um sinal de decadência da franquia?
A verdade
é que o tão esperado confronto entre T-X e T-800
ficou devendo. Parece não existir mais impacto depois
do segundo filme da série. As lutas e sequências
destruidoras são idênticas àquelas protagonizadas
por Robert Patrick. Corrida a pé atrás de carro,
briga em corredor batendo nas paredes, atropelamento, transformações,
etc. O único destaque fica por conta da sequência
de pinball com carros e a perseguição com caminhão
que foi - literalmente - de arrasar quarteirão.
Claire
Danes (As Horas) interpreta uma veterinária
que mostra seus dotes de ninja e conhecimentos de armamentos
nos primeiros minutos. E apesar de John Connor ser apresentado
como umo cara perdidão, ele esconde profundo conhecimento
de máquinas, informática, armas e códigos.
Tá legal que o mundo inteiro sabe que os Estados Unidos
são uma nação belicosa, mas aceitar que
uma veterinária possa manusear uma arma - e bem - de
uma hora para outra é demais da conta. E o que dizer
da quantidade de pancadas e explosões que os dois enfrentam
e continuam ilesos?
O humor
é uma constante e piadinhas sobram na película
milionária, mas os bordões de Arnie ficaram
obsoletos como o T-800. "Eu voltei", "Eu menti"
e as inúmeras frases de efeitos falando de sua parametrização
de dados se tornaram previsíveis. Isso sem contar a
fixação dele por óculos. Um destaque
fica por conta da preocupação em dar um visual
mais feminino para a "máquina" por trás
de Kristanna. Ao invés da tradicional e famosa caveira
metálica, T-X tem um look mais estiloso e lembra até
um alienígena. Já a atriz estreante não
convenceu como exterminadora, sua voz é fraca e, como
máquina, ela é uma só mais uma jovem
com o corpo para ser explorado pela mídia.
O filme
não é longo e, entre mortos e feridos (os espectadores),
o saldo é uma produção regular para menos,
que termina melancólico com um certo toque de Adão
e Eva só que longe do paraíso.
|