Desafio
Radical
Essa coisa
de abertura de filme com imagens incríveis já
se tornou lugar comum no cinema, mas isso não impede
que os diretores insistam no recurso para captar a atenção
dos espectadores logo no início da produção.
Com Desafio Radical (Extreme Ops), a história
não foi diferente. Muitas imagens bacanas fundindo
vários esportes para apresentar o elenco - desconhecido
- do filme e cenas alucinantes para deixar o pessoal da poltrona
de queixo caído. O resto é o resto mesmo.
Quem achava
que a tal história de um grupo de feras radicais enfrentando
outros radicais - só que terroristas - poderia dar
em algo interessante, pode ter se enganado. Os elementos estavam
lá, humor rasteiro para agradar a turma, patricinha
para encantar os adolescentes mais afoitos e ação.
É, até que tinha ação de verdade.
O que faltou foi um bom recheio para que esse "bolo de
neve" - o filme se passa nos Alpes austríacos
- tivesse um sabor mais forte. A apresentação
dos personagens da história é primária
e chega a incomodar os mais exigentes. A chegada da fera do
skate/snowboard (Silo) Joe Absolom é boba demais e
a patricinha no meio das feras, a ex-miss teen USA Bridgette
Wilson (mulher do tenista Pete Sampras), sobra no filme com
sua interpretação meia bomba.
Não
fossem algumas cenas de ação, como a sequência
de snowboard nos trilhos do trem e aquela fuga dos cães
- muito interessante por sinal, dava até para imitar
o bonequinho do jornal e levantar para ir embora. Como era
de se esperar em filmes do gênero, o merchandising rola
solto. De relógio, toucas, capacetes e óculos
até o insubstuível Victorinox para as horas
de aperto. A trilha sonora é lastimável. E pensar
que esporte rima com música, uma das personagens é
roqueira, mas o que se viu foi uma música-tema para
lá de chatinha permeando todo filme. Perderam uma boa
chance de turbinar a produção.
Um ponto
importante que ficou esquecido no roteiro (?) é que
o tal confronto com os terroristas só acontece - praticamente
- no terceiro quarto do filme e isso acaba comprometendo um
pouco a história. Fica a dúvida se não
seria melhor fazer um filme-documentário, como o recente
realizado pela ESPN - Ultimate X - com os
loucos do X-Games. O resultado também ficaria bom e
pouparia o público de ver cenas "surreais",
como aquela em que um vilão é abatido por um
snowboard. E pensar que o eterno James Bond já foi
líder nesse quesito: inverossimilhança.
Para não
dizer que o filme fica devendo o tempo todo, existem várias
sequências boas, como uma descida noturna de snowboard
e a idéia do "ofurô" improvisado foi
bastante original. O resort no topo da montanha também
é demais e o "steadycam" no esqui é
um caso a parte, permitindo grandes tomadas durante o dia.
Dito isso, prepare seus olhos para muita neve em cenas como
a da avalanche e a da fuga do bondinho. No final, no meio
das montanhas rochosas tentando se livrar dos "malvados"
que insistem em fazer bonecos de neve com nossos heróis,
também tem uma sequência boa de escalada.
Mancadinha
do filme? Bem no fim nossos heróis "detonam"
um outdoor de uma campanha publicitária que ainda está
sendo aprovada pelo cliente. Que gelada!
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