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por Roberto Cunha

Demolidor - O Homem Sem Medo

Para quem conhecia um pouco - ou muito - da história desse herói mais obscuro da Marvel, é uma grande satisfação vê-lo transportado para a telona. Mesmo sabendo que o orçamento foi mais modesto que os outros heróis receberam - ficou em cerca US$75 milhões - a sensação não é de decepção quando se senta na sala escura para assistir Demolidor - O Homem Sem Medo.

São inevitáveis as comparações com o recente Homem-Aranha, tremendo arrasa-quarteirão que faturou algumas centenas de milhões de dólares somente nos Estados Unidos e outros tantos mundo afora. Mas o que o espectador precisa levar em conta é que diferente de outros heróis, o Demolidor - talvez por viver no lado escuro do dia - sempre ficou mais à margem que os outros personagens em termos de exploração de sua imagem. Quem hoje passa ou está próximo da casa dos 40 anos vai lembrar que os desenhos animados que eram exibidos em nosso País na TV aberta eram apenas do Capitão América, Hulk, Homem de Ferro, Namor, Thor, Homem-Aranha, entre outros. O Demolidor era mais conhecido, de fato, por quem colecionava gibis.

Sendo assim, é hora de se entreter com a interessante figura do vingador criada pelo gênio dos quadrinhos Stan Lee. O mestre da Marvel, que em entrevista já dissera ter entrado nesse mercado meio por acaso, teve inclusive uma pequena participação no filme - como também acontecera em Homem-Aranha - e seu sobrenome também foi citado umas duas vezes durante a história. Outra curiosidade é a participação do diretor Kevin Smith, outrora roteirista do próprio herói nos gibis e por isso fã declarado do gênero.

Uma das características que podem diferenciar Demolidor dos heróis mais famosos é o fato de ele ser um vingador no melhor estilo Charles Bronson na saga Desejo de Matar. De dia ele representa a justiça na figura de um advogado idealista e à noite ele é um justiceiro. Ele ficou cego por acidente, mas não por acaso a sua visão foi perdida quando confrontado com uma dura realidade: seu pai não era o herói que ele imaginava. Matt Murdoch não tem super poderes oriundos de alguma mutação. Ele é um ser humano que desenvolveu de uma forma mais intensa os outros sentidos de seu corpo e apanha muito de seus oponentes. As marcas pelo corpo evidenciam seu sofrimento, mas ele vai em frente na luta pela justiça, mesmo que seja a sua.

O roteiro deixou um pouco a desejar. O fato de ele se apaixonar de cara pela bela e misteriosa Elektra pode deixar alguns espectadores incomodados já que ele não pode enxergar. Mas é preciso que se leve em conta que seus sentidos mais apurados podem muito bem servir para manter em dia suas características de indivíduo do sexo masculino. O lado ruim dessa "paixão" repentina fica para a sequência em que o casal se "conhece" através dos golpes de artes marciais. Esse encontro poderia ser mais bem resolvido e explorado mas acabou ficando surreal. Uma cena de um assalto, embora clichê, ficaria mais degustável do que os tapas trocados por eles na frente de um monte de crianças querendo ver briga. Mais politicamente incorreto impossível. Algumas situações criadas para gerar conflito e movimentar a trama para a frente foram fracas, como aquela em que o vilão Mercenário, interpretado pelo ator em ascensão Colin Farrell, mata o pai de Elektra e a culpa recai sobre o Demolidor. Ali o roteirista carregou na tinta e forçou uma situação totalmente inverossímil. E fica pior ainda quando mais adiante, sem um diálogo esclarecedor, a bela boa de briga pede desculpas simplesmente porque descobriu que quem ela achava que era o algoz de seu pai, era na verdade sua paixão. Coisas do cinemão americano que poderiam ser mais elaboradas.

A escolha do elenco foi bastante feliz. Com nomes já consagrados junto ao público alvo, como Ben Afleck e outros em plena expansão como o já citado Farrel e a exótica e sinuosa Jennifer Garner, fica difícil não se deixar seduzir pelos personagens. Apesar de ter algumas sequências violentas para o tipo de filme, o bom humor está presente em toda a produção. É provável que muita gente lamente o fato de o filme se passar grande parte do tempo no escuro, mas é importante que se tenha em mente que o Demolidor só "trabalha" na escuridão da noite e o escuro faz parte de sua vida já que ele é cego. O figurino que caprichou nas roupas de couro do herói e de Elektra remetem para o universo sadomasoquista, mas isso deve passar despercebido do grande público que quer mesmo é diversão. Destaque para as bonitas e bem resolvidas sequência em que ele "enxerga". Um bom exemplo dos efeitos especiais a serviço da criatividade. Não tenha receio, Demolidor - O Homem Sem Medo é um bom programa. Que venha a sequência!
 
Saiba mais sobre "Demolidor - O Homem Sem Medo".

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