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por Roberto Cunha

Casamento de Gringo

Impossível não assistir Casamento Grego na esperança de se deparar com um verdadeiro fenômeno. E isso acontece de verdade. Só que a realidade é outra. O fenômeno fica por conta mesmo é do grande "presente de grego" que os americanos deram para o mundo, devidamente embalado na fama da maior bilheteria independente de todos os tempos. Casamento Grego não é nada daquilo que a maioria da pessoas está pensando. Pode apostar suas fichas nisso. O filme é honesto, o roteiro bem feitinho, mas não passa disso. Qualquer um que tenha um mínimo de cultura cinematográfica vai sacar nos primeiros 10 minutos de filme - não foi assim que ensinou o papa Syd Field? - que já viu aquela história em outra tela, só que com uma roupagem diferente. Pensando rápido aparece logo Entrando Numa Fria, com Robert De Niro e Ben Stiller. Mas tem muito mais no gênero "casal tenta convencer família de que se amam e que estão dispostos a tudo (tsc tsc) para viver esse grande amor".
A canadense Nia - de Antonia - Vardalos protagoniza a história ao lado do ator John Corbett, mais conhecido por sua participação em séries de TV, como a badalada Sex and the City, entre outras. Ela foi descoberta apresentando a história nos palcos da vida e surgiu a idéia do casal de produtores Rita Wilson e Tom Hanks de levar a one woman show para o cinema. Deu certo. A personagem Tola, ou melhor Toula, interpretada por Nia, parece ter caído no gosto do público, que se identificou com a comédia romântica e a propaganda boca-a-boca provocou esse enorme sucesso.

Toula é uma tremenda balzaquiana, segundo ela mesma "com prazo expirando", que sabe que precisa dar um jeito na vida sem graça que leva junto a barulhenta e invasiva família. Mas como? Seu pai é um tremendo "mala sem alça", enxerga "o grego" em todas as palavras e coisas, tem o hábito "bizarro" de curar todos os seus machucados e doenças com um limpa-vidros chamado Windex e vive falando que ela "se parece com uma velha". Até que ele tem razão, mas não dá para ser diferente fazendo parte daquela turba meio brega, meio gorda e totalmente desalinhada. Uma missão impossível, é claro. Mas Toula é perseverante e, num belo dia, trabalhando no restaurante Zorba - uma clara alusão ao clássico do cinema - encontra Ian e é amor a primeira vista. Daí em diante o que se vê é uma sucessão de sequências em que o casal fará de tudo para viver o tal amor impossível, que já explorado de "n" formas no cinema.

Casamento é regado a muito som grego e, a toda hora, uma musiquinha típica da região invade a sala escura, dando o verdadeiro tom do que você está assistindo, e só abre espaço para as trilhas mais melosas nos momentos que a produção quer apelar para a emoção. Aí não tem jeito e entram os tradicionais acordes para "choro" do cinema americano. O roteiro correu meio frouxo e algumas sequências poderiam ter sido melhor exploradas, como o primeiro encontro na agência de turismo. Depois de uma cena pastelão bem colocada, entrou um diálogo meio chocho e ficou só nisso. Dava para explorar bem mais a situação com telefonemas, gafes, etc.

Desnecessário dizer que o pai não aprova a idéia do namoro com um "gringo" e vai tentar arrumar um maridão grego para ela. Idem para as várias situações em que os protagonistas vivenciam juntos com suas respectivas e distintas famílias. Por essas e por outras razões, que não parece ter nada de novo nesse grande sucesso do cinema independente e que já faturou mais de US$ 170 milhões. Não é falta de boa vontade com o filme. É falta de bom senso do público achar que trata-se de um filmão. É só um bom programa. Nada mais do que isso.

Entre as curiosidades, citaria a semelhança de Nia Vardalos com a comediante Kathy Najimy, do sucesso Mudança de Hábito e da série televisiva Veronica's Closet; a teoria de que, para os gregos, as moças têm três coisas para fazer na vida: casar, ter filhos e alimentar a família até a morte; e as "cuspidas" gregas para dar sorte e afastar os maus fluídos. Em tempo: Joey Fatone, da boy band N'Sync, faz uma ponta no filme.

Como diria Toula, "não importa aonde você vá, a família estará sempre presente". Só se for de grego.


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