Mad
Max nas Selvas
Difícil
começar a escrever sobre este filme e não citar
a abertura. Seguindo a "escola" de James Bond, o
diretor caprichou nos momentos iniciais para segurar o espectador
na poltrona. E até que consegue. As sequência
é boa e deixa claro, muito antes dos 10 minutos de
Syd Field (papa dos roteiros de Hollywood), o que está
por vir. Basta dizer que o "governator" Arnold Schwarzenegger
tem uma pequena participação - solicitada por
ele próprio - desejando muita diversão para
o protagonista e de tabela para os "da poltrona".
A história (?) do filme revela alguns pontos pitorescos
que merecerão destaque ao longo do texto.
Sob o pretexto
de se livrar de uma certa pressão exercida por um chefão,
o dublê de ator e lutador de wrestler (tele-catch americano)
The Rock, no papel de Beck, vai parar no meio de uma "amazônia
havaiana". Isso mesmo. No filme, o nosso herói
é enviado para a Amazônia, mas as filmagens acontecem
mesmo no Hawai. O motivo teria sido um assalto sofrido pelo
diretor Peter Berg quando estava aqui no Brasil procurando
locações para o filme. Berg, para quem não
lembra, fez alguns filmes no cinema, mas ganhou notoriedade
mesmo com a série para TV "Chicago Hope"
(concorrente de "Plantão Médico").
Essa é sua segunda investida por trás das câmeras.
A primeira foi Uma Loucura de Casamento,
de 1998.
Mesmo não
sendo no Brasil, o filme conta com merchandising da Ambev
- agora Interbev - com Guaraná e tudo mais. Aliás,
vale o registro aqui de que a Schin também aparece.
Democracia? Ou seria total desconhecimento da guerra das loiras
por aqui? Ou quem sabe um acordo comercial antes da pancadaria
publicitária de 2004, envolvendo o artista Zeca Calotinho?
Mistério...
Voltando
para a história (?), Beck vai tentar resgatar Travis,
o filho (Seann William Scott) do tal chefão, num local
muito distante e das garras de um grande vilão interpretado
por ninguém menos do que Christopher Walken. Walken
- é notório - sempre causa espanto quando encara
uma aventura destas. Chegando no tal local - na tal selva
- Beck descobre que Travis está atrás de um
certo "Gato do Diabo", escultura objeto de desejo
de 11 em cada 10 cidadãos que habitam a cidade de Helldorado.
É claro que nosso herói não quer saber
de nada disso, mas forças estranhas - como um roteiro
para lá de rocambolesco - colocam ele na linha de frente
dessa aventura.
As sequências
de luta, perseguição, explosões são
ótimas. No duelo entre Beck e os locais - brasileiros
devidamente caracterizados como sujos e com cara de índios,
torna-se impossível não se divertir com tantos
absurdos. Mostrando influências de Jackie Chan, John
Woo e dos irmãos Wachowski (Matrix),
entre outros, o diretor misturou tudo num caldeirão
fervente e deixou o gosto ao sabor dos fãs do cinema
pouco papo e muito sopapo. Eles vão a-do-rar. O visual
da turma de Walken e seus veículos, por exemplo, é
típico daquele Mad Max dos tempos
que Mel Gibson ainda ganhava alguns dólares com cinema.
Hoje, todo mundo sabe, são montanhas de dólares
com outro tipo de sangue jorrando nas salas escuras.
A trilha
sonora também não deixa a desejar. E a fotografia,
em alguns momentos, é de tirar o chapéu. O humor
prometido fica por conta de algumas tiradas típicas
americanas, mas sem o "timing" necessário
para surtir algum efeito nas bochechas do pessoal da poltrona.
Nesse quesito, o filme ficou devendo. É só "divertidinho",
mesmo que o termo soe estranho.
Sobre o
elenco, The Rock já mostrou que pode capitanear sucessos
na telona e não esconde suas pretensões artísticas
e deve seguir os passos de Arnie. E isso - diga-se de passagem
- não deverá ser só no cinema não.
Seann William Scott já tinha batido ponto em outros
filmes como, American Pie, Dias Incríveis,
Evolução e Cara, Cadê
Meu Carro? e cumpriu seu papel como escada para o
herói. E Christopher Walken dispensa comentários
quando o assunto é "ser canastrão".
Agora é com você: Bem-Vindo a Selva!
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