Bandidas - Quando o Crime Compensa
Os filmes de faroeste têm público cativo em qualquer lugar do mundo. Afinal de contas, o gênero tem uma enorme galeria de personagens, atores e diretores consagrados. Bandidas não deixa de ser uma homenagem ao bom e velho estilo e destaca o trabalho do diretor Sergio Leone com os enquadramentos e closes extremos (técnica dele) registrados em clássicos como Por Uns Dólares a Mais, Três Homens em Conflito e Era Uma Vez no Oeste, entre outros. A produção e o roteiro do experiente Luc Besson ("Imensidão Azul", Nikita, O Quinto Elemento) foram entregues à dupla de diretores debutantes Espen Sandberg e Joachim Roenning. O resultado foi um filme divertido com trilha sonora coerente e lindas locações no México e na França.
A abertura é totalmente "C.S.I.", seriado exibido na tv aberta e por assinatura. Impossível não reconhecer em Quentin (Steve Zahn) a eficiência e os tantos recursos existentes para decifrar crimes. A história mostra a questão da tomada de terras e as respectivas mutretas por parte de ricos banqueiros americanos no território mexicano.
Bandidas deixa cair a máscara logo de cara e se mostra irônico quando Maria (Cruz) conversa e brinca de jogo da velha com um cavalo, numa claro alusão à relação do imortal Zorro com seu parceiro Silver. No elenco, destaque para Dwight Yoakam (O Quarto do Pânico), ator de séries de tv, como o inescrupuloso Tyler Jackson. Já Sam Shepard, do premiado Paris, Texas, faz uma ponta como mentor das "meninas" no aprendizado do crime.
O filme é um verdadeiro caldeirão de influências e elas são muitas. Matrix está presente nos efeitos especiais da troca de tiros, a seqüência do roubo ao cofre (sensor de peso no lugar do infra-vermelho) lembra Armadilha, a fuga remete a Missão Impossível e por aí vai. Até um cavalo andando no telhado é digno de James Bond, que já fez o mesmo só que de motocicleta. E como se trata de uma comédia, o saudoso estilo pastelão eternizado por Terence Hill e Bud Spencer (da série "Trinity") alegram esta aventura que tem ainda cenas clássicas como fogueira ao relento, perseguição ao trem, desvio nos trilhos e momentos mais ousados - você ainda achava que eles não iriam explorar os "atributos" da dupla de protagonistas -, como a sedução de Quentin com roupas calientes e a aula de beijos ardentes.
Outro momentinho "sacana" foi o "gozo" quando Sara (Hayek) deixa de usar o espartilho. Mas fica por aí. Uma grande sacada foi o momento da afinação do instrumento coincidindo com o herói pendurado na corda. Ponto negativo para o cão fedorento que aparece e some quando é conveniente ao roteiro.
Claro que vai ter um monte de gente torcendo o nariz porque filme de cowboy é legal, mas não com Penélope Cruz e Salma Hayek. Mas nesse caso o "crime" compensa. As duas atrizes até que se saíram bem no papel da bela camponesa e da bela mimada, respectivamente, que resolvem fazer justiça com as próprias mãos. E mostraram a química e o fôlego necessários para uma seqüência. E ficaram pistas de que isso pode vir a acontecer. Assim, é fácil aceitar Bandidas como uma boa diversão. E está longe de ser um assalto ao seu bolso.