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por Roberto Cunha

O Albergue - Olho por Olho. Dedo por Dedo.

Essa produção foi alardeada por conta de alguns fatores importantes. Se você não tiver a oportunidade de ver no cinema, vale o aluguel do DVD/VHS. O filme levou apenas um ano, desde sua idealização, para ser concluído e isto é um verdadeiro recorde para os padrões americanos. Eli Roth, com experiência em TV e que debutou no cinema com "Cabana do Inferno" (2002), é o diretor desta trama que tem a chancela de Quentin Tarantino como produtor executivo. E é fácil entender o porquê.

A abertura de O Albergue é no mínimo curiosa. Um assobio "meio-sacana , meio-infantil" se une aos sons de líquidos pingando, escorrendo, formando uma música. Uma trilha sombria para mostrar que o tal líquido (sangue) é o ingresso para uma história muito louca. Assim fica claro que o humor e o escracho estarão presentes em toda a obra. E que, definitivamente, "Corta!" neste filme não será expressão de diretor.

Você conhece os protagonistas em Amsterdã, num bar onde muita maconha está sendo consumida. E a partir do diálogo do trio, dois mochileiros americanos e um islandês, você descobre que eles estão em busca de aventuras "sensoriais e sexuais", não necessariamente nesta ordem, pelo velho continente. O texto tem várias sacadas, citações e muito humor negro. É engraçado perceber, por exemplo, que a pochete - outrora acessório de moda - também virou brega por aquelas terras. Outro exemplo, ao serem barrados na volta para o hotel, um estranho oferece ajuda e o comentário de um deles é: "nem todos querem matar americanos".

E, como se tivesse apresentando um conto de fadas, o estranho conta a história de um lugar especial, um verdadeiro spa de sexo, drogas e orgias. É o albergue. O trio vai até lá e, no hall, uma cena de Pulp Fiction - Tempo de Violência passando na TV, dublado em uma língua estranha, dá o tom do que vem pela frente. Na seqüência, mulheres muito sensuais e com nome de vodka seduzem o trio. É o sinal de que a aventura está começando. E o mais assanhado deles é o primeiro a "sumir" do mapa.

É curiosa a mudança de rumo que num determinado momento induz você a pensar que o herói seria um e acaba sendo outro. E, como se passa nos dias de hoje, fotos são enviadas pelo celular e o principal: matar americanos vale mais. Politicamente correto ou não, é assim que funciona o "Elite Hunting". Um clube para quem gosta de adrenalina, "artigo" em moda atualmente, mas quer sentir o prazer de matar alguém. Bizarro? Imagine então as cenas que virão em seguida.

A citação do clássico "O Massacre da Serra Elétrica" é inevitável e o carinho do herói com seus dedos amputados, mergulhou o filme no universo trash. Na verdade, o humor é que diminui a intensidade das cenas. Não fosse isso seria chocante demais ver um atropelamento/strike com o carro, a gangue de moleques alucinados trucidando sem piedade suas vítimas, a jovem oriental que teve o olho arrancado de maneira absurda, o sangue jorrando para todos os lados. A própria vingança do herói foi um verdadeiro show... de horror.

Mas, sem sombra de dúvida, existe algo mais em O Albergue. É importante notar que mesmo não sendo o seu gênero preferido de filme, é quase impossível não sentir um certo e "estranho prazer" na medida que o protagonista avança em sua breve insanidade assassina. Mexe com um lado bizarro da personalidade das pessoas. Seria esse o tal doce sabor da vingança que tanto já ouvimos falar? Tire você mesmo suas próprias conclusões.

 
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