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Cena de Cinema
por Renato Martins

O Aluno Supera o Mestre
No terceiro Parque dos Dinossauros Spielberg larga a direção - e o filme melhora


Rápido e indolor. Assim se pode definir a terceira parte de "Jurassic Park", sucesso de bilheteria dirigido e produzido por Steven Spielberg em 1993. O mesmo mago dos sucessos dos anos 80 como "Tubarão", "Contatos Imediatos" e "E.T.", iniciou a década de 90 escolhendo um best-seller de Michael Crichton para levar ao cinema a história da recriação de dinossauros em plenos dias atuais. Com muitos efeitos especiais, história simples e elenco de segunda - Sam Neill e Laura Dern custam muito pouco - , Spielberg acertou a tacada. Tanto que em 97 tentou novamente, com "O Mundo Perdido", ainda com elenco de segundo escalão liderado por Jeff Goldblum ("A Mosca"), concretizando mais um sucesso de bilheterias, mas já caindo naquele velho estilo de seqüência cansativa e desnecessária. Neste terceiro filme, Spielberg resolveu sair da vitrine, até porque estava finalizando o projeto "A.I. - Inteligência Artificial" que Stanley Kubrick lhe deixou antes de morrer. Passou a bola para o diretor Joe Johnston, que competentemente dirigiu filmes como "Jumanji" e "O Céu de Outubro", e permaneceu na produção, junto com a esposa Kathleen Kennedy.

A fórmula número 3 fecha com a escolha o casal do filme original, Sam Neill e Laura Dern, embora Sam é que permanece no filme. Laura faz uma ponta inicial e só reaparece ao telefone no final do filme, totalizando no máximo 10 minutos de interpretação. Sam é novamente o professor Alan Grant, que ainda traumatizado com o que viveu junto aos dinossauros de 93, vive um dia-a-dia temeroso e ao mesmo tempo fascinado em relação ao assunto. Recebe uma proposta de um empresário milionário (William H. Macy) que quer viver novas aventuras e visitar a ilha onde vivem os bichinhos. Atraído pelo pagamento, só descobre na ilha que era tudo uma farsa para tentar achar o filho do empresário, que estaria perdido na ilha há oito semanas. Como mocinho é mocinho, o professor não nega fogo e resolve enfrentar todos os perigos da viagem e encontrar o garoto. A presença feminina no filme fica com Téa Leoni, permanentemente assustada e dando gritinhos - que pra azar da expedição, só agita mais ainda as espécies jurássicas.

Quando falo em rapidez e ausência de dor, é porque este filme tem um argumento aceitável, elenco esforçado e roteiro certinho. Ele acaba, por exemplo, onde tem que acabar. Não há mensagens finais, cenas emblemáticas ou epílogos felizes. Outro esforço é da turma dos efeitos especiais, que cada vez mais torna os dinossauros perfeitos, longe daqueles que se mexiam quadro a quadro. Também a variedade de espécies apresentadas são aceitáveis, sem exageros e sem deixar o filme cansativo. Os perigos que nossos heróis enfrentam são bem escritos e não beiram o absurdo, coisa que já vimos em outras continuações. É claro que quando entramos no cinema, temos que lembrar que estamos indo ver um filme de dinossauros - que já um absurdo por si só. Mas dentro dessa lógica, "Jurassic Park 3" é coerente. Não é melhor do que o filme original, mas é superior ao "Parque dos Dinossauros 2". Ou seja, Joe Johnston superou o mestre Spielberg.

Algumas salas aumentam excessivamente o volume do sistema de som, provavelmente por orientação da distribuidora, pois dá uma sensação mais verdadeira e assustadora à presença dos dinossauros. O barulho às vezes se torna ensurdecedor, e talvez aí resida o ponto cansativo do filme. Os mais velhos talvez se descontentem, e as crianças se assustem por demais - se é que esse público ainda se assusta com alguma coisa. Eu mesmo ouvia risadas de crianças na sessão em que freqüentei, quando apareciam os bichos monstruosos. E não pareciam risadas nervosas.

E mais: William H. Macy, coadjuvante de várias comédias como "Happy, Texas" e "Deu a Louca nos Astros", novamente aparece como um competente ator, embora neste Jurassic ele não tenha espaço suficiente para atuar. Certamente Macy sairá do segundo escalão para o primeiro e não é deste filme que ele dependerá para provar seu talento. Ou será que alguém lembra que Samuel L. Jackson esteve no primeiro Parque dos Dinossauros? E que Julianne Moore esteve no segundo?

 
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