Fugindo
do Engarrafamento
Rush
Hour 2 é superior ao primeiro e diverte sem doer
Há
críticos com problemas em entrar em salas onde estão
sendo projetados filmes comerciais com temáticas populares.
Se o filme é sucesso de bilheteria, maior o problema.
São produções consideradas vazias e sem
sentido e devem ser evitadas, segundo o decálogo desse
tipo de crítico de cinema. Se o gênero for comédia,
"menor" ainda ele será considerado e se a
produção for americana, decididamente não
é um bom filme. Felizmente - acho eu - estou na contramão
desse pensamento, e embora eu goste de produções
européias, alternativas, contundentes e que fogem de
roteiros previsíveis, eu costumo valorizar um filme
quando ele cumpre as necessidades básicas de um espectador.
Após a sessão, não nos sentimos lesados
por ter gasto dinheiro, esboçamos um sorriso nas luzes
acesas da sala e até ficamos um pouco decepcionados
com o fim do programa. Em casos de comédia, acho que
tudo isso deve ser mais valorizado ainda, pois terminada uma
exibição, tivemos duas horas de diversão,
entretenimento e de relaxamento. Assim é A Hora
do Rush 2. Um filme que não tenta te enganar. Ele
é bem empacotado pra presente, revestido de uma boa
produção, mas nem por isso descuida do roteiro
e de produto final. É um bom divertimento.
É bem possível que essa continuação
do filme de sucesso em 1998 seja superior: unindo mais uma
vez a dupla Jackie Chan e Chris Tucker, a química
entre o negro americano - solto e descontraído - e
o agente chinês - metódico e organizado - funciona
melhor do que nunca. O roteiro é inspirado, os dois
atores estão ainda mais afinados e a direção
é competente. Um bom dinheiro foi colocado à
disposição do diretor Brett Ratner, que
já se revelou bem intencionado em filmes como Um
Homem de Família, com Nicolas Cage. O homem
também dirigiu o primeiro A Hora do Rush e vai
dirigir o terceiro, acertado para 2004, tal qual o acertado
da fórmula. Se na primeira parte da já consolidada
série os personagens de Chan e Tucker já divertiam
pela mistura um tanto insólita (oriente/ocidente, preto/branco,
alto/baixo, sério/engraçado), nesta segunda
o projeto se expande e a história explora ainda mais
essas características. Os dois, porém, parecem
mais entrosados e menos diferentes. O inspetor Lee, interpretado
por Chan, parece mais "leve" e cômico. O detetive
James Carter, da polícia de Los Angeles (Tucker), está
mais compenetrado em seus golpes, dedica-se ao chinês
e torna-se deslumbrado pelo mundo oriental. A inversão
dos papéis também funciona como um novo elemento
nesta continuação.
O personagem
de Tucker é mais "mala" do que nunca. Incomoda
tanto que chega a ser engraçado. Proporciona cenas
impagáveis num bar de karaokê e numa tradicional
"casa de banhos". Chan, em segundo plano, arrasa
com seus golpes muito bem ensaiados (podemos ver no fim do
filme, ao lado dos
créditos, que vários não deram certo).
E o elenco ainda ganha força com a presença
vilanesca de John Lone, que atuou em O Último Imperador,
e que aqui interpreta um ex-policial entregue ao ramo do tráfico
e outros crimes menos cotados. Outro destaque de elenco é
a presença feminina, indispensáveis em filmes
comerciais e divertidos como esse, na pessoa da Miss Porto
Rico Rosalyn Sanchez, que pouco fala mas muito preenche
a tela no papel de uma contra-espiã. Sem falar na beleza
mais discreta de Ziyi Zhang, que voou por cima da carne
seca em O Tigre e o Dragão, e aqui é
mais uma das vilãs a desafiarem os agentes.
Não
é a toa que A Hora do Rush 2 fez mais bilheteria
no mercado americano do que Planeta dos Macacos e O
Parque dos Dinossauros 3. A fórmula simples mas
objetiva, calcada no velho esquema dois-policiais-que-se-odeiam-mas-no-fundo-se-amam,
sempre funciona, se bem conduzida. A equipe toda foi competente,
desde os atores até a direção, passando
pela importante equipe de produção que foi a
Hong Kong e Los Angeles (o filme começa numa e termina
na outra, ao contrário do primeiro). E no terceiro
episódio da série, seguindo passos de série
como Máquina Mortífera, Chips,
Starksy & Hutch, e tantos outros filmes e telefilmes
que apostam nas duplas, a equipe de Rush Hour provavelmente
terá que ir a Nova York, onde se passará o novo
enredo. E lá estarei eu, na sessão de cinema,
com um balde pipoca e pronto pra me divertir com mais uma
comédia comercial americana popular e vazia, que certamente
assistirei entre um Bergman e um Tarantino.
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