Adoro Cinema
Porque cinema é muito mais do que pipoca!
 
 
Adoro Cinema .comAdoro Cinema Brasileiro.com.br
     Colunas  
O Blog Adoro Cinema!
 
Colunas
Geral    
Cena de Cinema  
Panorâmica    
Pedindo Bis    
Sétima Arte    
Tirando o Mofo    
Escurinho do Cinema    
Fora de Circuito    
Top 10 Brasil    
Top 10 EUA    
Matérias Especiais    
Diários Cinéfilos    
     
  Filmes
  Personalidades
  Promocine
  Interatividade
  Cinenews  
  Destaques  
  Equipe
  Festivais  
  Loja
  Primeira Visita  
  Contatos
 
 
 
 
Assista os melhores filmes de graça!
 

 
Hot Site Especial Indiana Jones
 
 
Cena de Cinema
por Renato Martins

Presente Finlandês
A simplicidade e a despretensão auxiliam o verdadeiro cinema


Nós, comentaristas de cinema e webmasters de sites especializados em cinema, adoramos fazer relações entre os filmes. Alguns de nós chegam a sugerir ''se você gostou desse filme, vai gostar também de...'' - a velha tática de indicar ''filmes relacionados''. O Homem Sem Passado, exibido no Brasil durante o Festival do Rio BR e colhendo estranha recepção, não pode ser comparado a nada. De tão despretensioso, não lembra nada antes feito nem mesmo se assemelha a uma cinematografia X ou Y. Poderíamos, com muito boa vontade, dizer que lembra em algum momento o ritmo do cinema francês mais recente - e igualmente sem pretensões. A história parte de uma violência, mas com simplicidade narra as desventuras de um homem (Markku Peltola) que acaba de chegar de trem na estação de Helsinque, vindo de uma outra pequena cidade finlandesa, e que é assaltado e espancado por três bandidos, perdendo a memória e o orgulho. É por causa das fortes pancadas na cabeça que ele fica totalmente desmemoriado, sem lembrar nem do próprio nome e de sua história - nem sequer o nome daquela pequena cidade de onde veio. Esse início quase noir parece nos levar para uma história de mistério, de um homem sem rosto, num cenário de pouca iluminação e cores pardas. Mas não é nada disso que acontece. Aliás, em todo quadro da película finlandesa do cineasta Aki Kaurismäki não se sabe o que vai acontecer. E o melhor é que não acontece mesmo. Não deu pra entender? A trama é natural, simplesmente flui, um acontecimento depois do outro. Como na vida real.

O passado do protagonista que não conseguimos desvendar passa a ser o menos importante: o homem sem nome acaba sendo gentilmente acolhido por família de sem-tetos (que na verdade vivem em contâneirs, revelando o lado pobre da capital finlandesa). Quando aos poucos vai tentando reconstruir sua vida, se envolve vagarosamente com uma ativista do Exército da Salvação, a retraída Irma, interpretada pela ótima Kati Outinen. A história viaja por situações inusitadas, desde o romance dos dois, passando pela engraçada revitalização do grupo musical do Exército, até os conflitos daquela comunidade de miseráveis que lutam contra a fome, a violência e a burocracia do país onde vivem. A sobriedade do velho mundo somada à falta de referências de um povo sofrido se traduzem na tela de O Homem sem Passado. Um retrato de poucas cores mas muito significativo de uma nação dividida entre o desenvolvimento e o atraso, entre o rico e o pobre, entre o desprendimento e a tradição. Em última instância - e talvez o cineasta Kaurismäki nem tenha pensado nisso -, a história do homem desmemoriado é também a história de seu país, incrustado na região nórdica da Europa, que eternamente luta para alcançar suas posições de destaque econômico, social e político dentro da comunidade européia.

O fato de Cidade de Deus ter sido eliminado da competição do Oscar, na categoria de melhor filme estrangeiro, parece explicar uma rejeição natural aos outros candidatos. O filme de Kaurismäki sofreu isso na pele, principalmente nas críticas brasileiras. Li em algum lugar que o filme não se define entre a ''comédia, drama, sátira, alegoria ou simplesmente um filme ruim''. Injustiça. Há muito tempo que não precisamos mais assistir filmes com fórmulas prontas, com gêneros definidos e orientações definidas.

A indefinição é principal ingrediente de O Homem Sem Passado. E esta é delícia de assistir o representante finlandês. O elenco tem maravilhosos momentos, que inclusive rendeu os prêmios de atriz para Kati Outinem. A fita também recebeu o Grande Prêmio Especial do Júri, prêmio Ecumênico (dado por grupos religiosos), além de na própria Finlândia ganhar seis Oscars locais (inclusive filme e atriz). O ''pecado'' do diretor foi mostrar (a dura) realidade, e para isso usou histórias simples e atores sem beleza para filmar. O fato de usar um elenco a partir de um povo com traços crus, sem modelos e estrelas de Hollywood, ajuda crescer o preconceito contra a produção.

As críticas internacionais é que saudaram o diretor, que está sendo festejado por mais essa realização. Desprovidos do preconceito tupiniquim e da aura americanista que está impregnada em nosso modo de ver cinema, talvez os colegas lá fora tenham sido mais justos com a obra. Este filme vale muito mais do que foi gasto com ele, em valor financeiro e artístico. Ao contrário de tantos, que nos deixariam ricos se pudessem se comprados pelo que realmente vale e serem vendidos por quanto seus realizadores - e principalmente produtores - acham que vale. Saúdo, também, a chegada do filme no Brasil. Fazia tempo que não víamos algo tão despretensioso em exibição. Talvez essa seja a maior qualidade de O Homem..., ou o pior defeito dos outros filmes que tomam conta das bilheterias: são pretensiosos demais. E aí falta talento para tanta promessa.
 
Envie sua opinião sobre esta coluna.

Leia as colunas anteriores de Renato Martins.
 
    Topo
 
  PROCURA


   ANÚNCIOS



 


Lista Completa de Filmes :|: Filmes em Cartaz :|: Filmes Inéditos :|: Atores :|: Diretores :|: Críticas :|: Pedidos :|: Colunas :|: Cinenews :|: Festivais :|: Fórum. :|: Promocine :|: Equipe :|: Anuncie
Adoro Cinema :|: Adoro Cinema Brasileiro
© Copyright 2001-2007A.C. Agência Digital - Todos os Direitos Reservados
Design por: Leo Faria Design