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Moçambicanos
e Italianos Disfarçados de Brasileiros
28ª
edição do Festival de Gramado começa na Serra Gaúcha
Bem que podia ter mais filmes brasileiros. Mas, para
compensar, estão aqui representantes de Cuba, México, Uruguai,
Argentina, Espanha e Peru. Fora de competição, ainda tem portugueses,
russos, franceses e italianos. Ou seja, o Festival é, sem
dúvida, um evento internacionalizado. Alternativa que foi
a sua salvação na era Collor, em 92. Hoje, o Festival de Gramado
- Cinema Latino e Brasileiro é o maior do país e com categoria
luta para segurar essa sua colocação. Representando a produção
tupiniquim, só temos Estorvo, do Ruy Guerra,
Quase Nada, de Sérgio Rezende e Eu não Conhecia
Tururu, de Florinda Bolkan. Saudades tenho mesmo
é do tempo em que existiam duas mostras competitivas: uma
para os brasileiros e outra para os estrangeiros.
Se
bem que eu entendo a dificuldade dos nossos produtores. Muitos
filmes não ficam prontos a tempo de concorrer no Festival,
e outros tantos, se ficam prontos meses antes do evento, não
podem esperar para começar sua carreira comercial. A cada
semana que a produção fica engavetada é dinheiro que se perde.
É preciso exibir logo, e começar a compensar essa cara arte
chamada cinema nacional.
De
qualquer forma festivais como o de Gramado têm a peculiaridade
de fornecer oportunidades incríveis aos seus participantes,
como assistir Las Profecias de Amanda, do veterano
cineasta cubano Pastor Vega, cujos filmes raramente
chegam ao circuito brasileiro, ou obras como Pantaleon
y Las Visitadoras, de sobreviventes como Francisco
Lombardi, um dos poucos cineastas em atividade e com uma
obra respeitável no Peru. Por essas e outras que o evento
é especial. Sem falar na abundância de curtas com boa produção
e temática e a geração super-8 que desponta e já toma conta
de dois dias com sua mostra paralela.
Ou
seja, além do frio europeu da serra gaúcha, lugares como Gramado
costumam oferecer encontros inusitados, como um moçambicano
(Ruy Guerra) concorrendo com um filme brasileiro, um
diretor uruguaio (Mario Gas) que concorre comn um filme
espanhol e uma cearense (Florinda Bolkan) que há anos
faz carreira de sucesso de Itália. Essa é a magia do Festival,
uma semana de intercâmbio cinematográfico e chances sensacionais
de conhecer um pouco mais do cinema fora de circuito.
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