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Fantasia
Legal
Mesmo
sendo mais um filme adaptado de games, Final Fantasy cumpre
o que promete
Não
se apaixone pela atriz principal de Final Fantasy :
ela não existe. A dra. Aki Ross é tão
perfeita, que é bonita sem ser linda. Se os criadores
do filme com atores totalmente digitais fizessem uma heroína
linda, ao estilo de Sharon Stone, Liz Hurley
ou Angelina Jolie, ia ficar forçado. O nariz
levemente batatinha da personagem dá um toque real
e confirma o talento de quem criou os protótipos. O
"mocinho" (voz de Alec Baldwin) tem um jeito
de Ben Affleck, mas também parece menos perfeito.
E o restante dos "atores" - totalmente artificiais
e criados em computador - são todos harmônicos
e bem-acabados, muito próximos da imagem da semelhança
do homem (de carne e osso). O melhor deles é o Dr.
Sid, que carrega um traço de realidade impressionante,
ajudado pela voz teatral de Donald Sutherland. Os desenhos
- também dos cenários - são todos tão
bem cuidados que quase esquecemos que o filme é uma
fábula, mais uma baseada em um jogo de videogame, e
que não há atores verdadeiros.
Há
uma certa lógica e alguma criatividade no argumento
do jogo/filme, que nos apresenta um planeta Terra destruído
pelo tempo e infestado de formas de vida extraterrestres,
denominadas fantasmas, objeto de estudo de nossa personagem
principal, a Dra. Aki. O computador recria digitalmente a
ilha de Manhattan, depauperada pelos anos de destruição,
com uma redoma que protege os laboratórios e os escritórios
da população sobrevivente e mais avançada.
A famosa ponte de Brooklin, ponto turístico novaiorquino,
serve de referência no trânsito aéreo de
espaçonaves que vêm e vão da redoma para
outros pontos do planeta. Não é preciso dizer
que os vilões assassinos são os extraterrestres
e a cientista em questão, nossa heroína, quer
estudá-los e defendê-los. Há também,
um general maluco que quer logo usar um canhão para
destruir os inimigos, com a talentosa voz de James Woods.
As
vozes de gente boa como Steve Buscemi e Ving Rhames
(ambos lembrados por seu trabalho em Pulp Fiction)
completam o charme e os atrativos de Final Fantasy,
que simplesmente cumpre a que se propõe: um filme fantástico,
imaginário, sem grandes coerências, com esmero
estético e trilha sonora afinada com os cliques da
computação gráfica e roteiro que garante
o entretenimento básico. Não é nenhum
marco divisório da ficção científica
nem do cinema de animação, mas é certamente
um bom filme. Não há furos nem delírios
de roteiristas insanos. Sela a qualidade do filme a presença
da serenidade oriental, através da direção
segura de Hironobu Sakaguchi (que criou o game de mesmo
nome do filme) e de seu colega Motonori Sakakibara.
Para
um filme que reúne tantos ingredientes e gêneros
- animação, aventura, ficção,
fantasia, ação, atores digitais - Final Fantasy
consegue até ser simples. É, igualmente, competente,
autêntico (diferente de Tomb Raider, por exemplo,
que queria ser e não conseguiu) e verdadeiro. Um filme
objetivo que funciona na tela grande do cinema e funcionará
com certeza em outras mídias, como o VHS e o DVD. Longa
vida a esta fantasia um pouco limitada, mas melhor assim,
do que sem limites e sem talento. |