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29º
Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino
Bons
filmes, estrelas, dinheiro e frio fazem Gramado começar
com o pé direito
Dentro
do Palácio dos Festivais, na cidade da serra gaúcha,
explosões, tiros e incêndios figuravam na tela
e quase ensurdeciam o público através do sistema
de som, reajustado para impactar mais ainda a história
que estava sendo contada. Efeitos explosivos pegavam o espectador
de surpresa, em cenas inesperadas e impactantes. Robocop?
Rambo? Exterminador do Futuro? Não. "Yoyes",
o representante espanhol no 29º Festival de Gramado estava
na tela surpreendendo, mostrando os fatos reais que se sucederam
com Maria Dolores Gonzáles Cataraín, uma ex-dirigente
do ETA que retomar sua vida e sua família e acaba sendo
assassinada por antigos companheiros. No papel-título
- Yoyes era o apelido carinhoso de Maria Dolores - , Ana
Torrent, de "Cria Cuervos (76)", numa excelente
atuação. A fita, que abriu a competição
oficial de longas na última segunda-feira à
noite, é extremamente triste, mas conduzida de maneira
contundente pela diretora Helena Taberna, que mistura
sensibilidade e arrojo na filmagem. Fotografia bem-cuidada
completa as características principais para se garantir
um bom filme. As tais explosões e tiroteios, filmados
com impresssionante realidade, reforçam o ambiente
tenso da história e reproduzem através do impacto
os atentados provocados pelo ETA.
A
noite de abertura seguiu com curtas-metragens nem tão
bons mas o longa brasileiro "Duas Vezes com Helena",
de Mauro Farias, salvou a pátria, no sentido
mais literal possível da expressão. O triângulo
amoroso vivido por Fábio Assunção,
Carlos Gregório e Christine Fernandes
- todos em Gramado - é filmado de maneira simples mas
talentosa, baseado no único conto escrito por Paulo
Emílio Salles Gomes. Os dois atores estão atuando
muito bem, com destaque para Gregório, que apresenta
uma maturidade de interpretação soberba. Já
Christine, de poucas palavras, é captada de formal
sutil pelos ângulos da câmera e o resultado é
brilhante. Mauro Farias certamente descobriu na face,
nos olhos e na expressão da atriz um componente especial,
e explorou bem isso. Resultado: Christine, de pontas no cinema
como em "O Trapalhão e a Luz Azul" e em "Amores
Possíveis", já surge como a musa do Festival
desde seu início.
A
presença de artistas no Festival da serra gaúcha
reforça o ambiente fashion do evento: tietes gritavam
na porta do Palácio dos Festivais (o cinema que exibe
os filmes da competição oficial) para os famosos
que chegavam para a sessão. Antônio Calloni,
Daniel Filho, Giulia Gam, Zé de Abreu,
Murilo Rosa e o próprio Fábio Assunção
inquietavam os fãs. Outra boa notícia que ajudou
o início do evento é o anúncio da liberação
da verba de 300 mil Reais para o Festival de Cinema, feito
pelo Ministro dos Esportes e Turismo Carlos Neles,
que esteve especialmente no estado para o certame. Em meio
a discursos, um minuto de silêncio foi solicitado para
a memória de Jorge Amado, que faleceu na segunda-feira
6. Incrivelmente rápida, a organização
do Festival exibiu na tela do Palácio dos Festivais
um vídeo com os melhores momentos da obra do escritor
baiano adaptado para o cinema.
Com
todos estes ingredientes, o quase balzaquiano festival começa
com pé direito. Só a presença do calor
é que fazia os artistas e cineastas estranharem a cidade,
mas não deu outra: na madrugada de segunda para terça,
houve a virada e a tempretura caiu de 24 para 12 graus na
serra gaúcha. Agora resta esperar o resto do Festival.
O chocolate quente e o fondue está na mão.
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COLUNA, DE 6 A 11 DE AGOSTO.
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