Adoro Cinema
Porque cinema é muito mais do que pipoca!
 
 
Adoro Cinema .comAdoro Cinema Brasileiro.com.br
     Colunas  
O Blog Adoro Cinema!
 
Colunas
Geral    
Cena de Cinema  
Panorâmica    
Pedindo Bis    
Sétima Arte    
Tirando o Mofo    
Escurinho do Cinema    
Fora de Circuito    
Top 10 Brasil    
Top 10 EUA    
Matérias Especiais    
Diários Cinéfilos    
     
  Filmes
  Personalidades
  Promocine
  Interatividade
  Cinenews  
  Destaques  
  Equipe
  Festivais  
  Loja
  Primeira Visita  
  Contatos
 
 
 
 
Assista os melhores filmes de graça!
 

 
Hot Site Especial Indiana Jones
 
 
Cena de Cinema
por Renato Martins


Faltou Brilho no Kikito
34ª edição do Festival do RS encerra com melancolia


"O Festival de Gramado precisa se repensar" - eta frasezinha que a gente ouve sempre, a cada final da competição, todos os anos. Dessa vez não foi diferente: depois de cinco dias de disputa com dez longas, metade estrangeira e metade brasileira, e mais de 20 curtas, mais uma vez a aura intelectual do auto-redescobrimento tomou conta da serra gaúcha. Críticos, jornalistas, cineastas, atores e trabalhadores do setor e (algumas) autoridades voltam a tratar do assunto: a sobrevivência do Festival - que já não é, infelizmente o maior do Brasil. Depois de 34 edições, a competição gaúcha pode ser considerada uma das maiores, e não mais a primeira. Hoje mostras competitivas como a de Brasília, por exemplo (que acontece em novembro), faz uma sombra considerável em cima do certame gaúcho.

Gramado já passou por poucas e boas, foi palco para o cinema político e de protesto, deu voz a quem foi censurado, celebrou os excluídos e se deparou com a falta de produção nacional no anos 90, quando o ex-presidente Collor destruiu a cultura brasileira. Nessa época o Festival teve que fazer sua primeira "reinvenção", se transformando em Ibero-Americano, agregando filmes estrangeiros em sua mostra pela primeira vez. A partir daí as películas brasileiras concorriam com as de origem latina, disputando o mesmo kikito - o troféu oficial de Gramado. Quando a produção nacional melhorou, as categorias foram separadas, com premiações distintas. Mais recentemente, o gênero documentário ganhou espaço, dividiu os prêmios com a ficção, depois ganhou categoria em separado e voltou a disputar a mesma estatueta.

Mas qual é o problema? Se Gramado tem o clima ideal para a realização do evento, o frio que encanta os artistas e os turistas, e toda a história da sétima arte brasileira no currículo, quais são as dificuldades? Várias. A primeira delas é que a crise não é de hoje. Nos últimos cinco anos, a qualidade dos filmes não tem ajudado o festival, que exige ineditismo e só se prejudica com isso. Resultado: nem mesmo grandes produções gaúchas são inscritas para concorrer! Obviamente não dá pra ser diferente: aceitar filmes em cartaz também seria o cúmulo. Mas falta um trabalho mais forte de prospecção de produções nacionais que disputem o kikito e ao mesmo tempo levem prestígio ao Rio Grande do Sul. Isso começou a mudar neste ano, quando a comissão executiva de Gramado contratou dois "recrutadores": os consultores técnicos Sérgio Sanz e José Carlos Avellar , responsáveis por melhorar esse nível de qualidade.

A produção brasileira também não colabora com o festival da serra gaúcha. De 2005 pra cá, dá pra contar nos dedos os filmes bons feitos no Brasil. Muitas produções efêmeras, de roteiros confusos, fracos ou enfadonhos brotaram nas telas, mas pouca coisa ficou na memória do espectador. Se não fosse o gênero do documentário, Gramado estaria acabado. Neste ano, dois documentários salvaram a competição - tanto que Pro Dia Nascer Feliz, de João Jardim, foi ganhador de diversos prêmios. A ficção Anjos do Sol, que bem poderia ser um documentário, por se tratar da prostituição infantil no Brasil, ganhou o kikito de melhor filme segundo o júri oficial, empatado com Serras da Desordem, outra ficção. A divisão do prêmio máximo é raríssima e denota uma confusão e uma falta de critério total por parte dos jurados. Anjos... é muito bom e Serras... é muito ruim.

O problema cresce quando vamos falar dos representantes latinos. Arrebanhar títulos estrangeiros, de qualidade e ainda por cima inéditos, é praticamente impossível. Resultado: a representatividade deste ano, por exemplo, foi quase nula, com dois filmes mexicanos (premiadíssimos), dois argentinos (ignorados pelo júri) e um filme boliviano. Ainda assim, críticos especializados foram unânimes - incluindo os coordenadores técnicos citados acima - em afirmar que a mostra estrangeira estava superior à brasileira. Entre os filmes exibidos fora de competição - uma maneira de amenizar a fraca programação da mostra oficial - a animação Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock'n Roll lotou o Palácio dos Festivais, enquanto o diretor Otto Guerra lamentava não ter sido selecionado. Dá pra entender?

Pra completar a discussão sobre "reinvenção", Gramado vive na dicotomia entre o cinema e o tapete vermelho, onde pisam os artistas que sustentam a atmosfera "fashion" desse tipo de evento. Vamos melhorar a programação ou trazer mais gente famosa? Vamos tratar de cinema ou dar espaço para a fofoca, as festas e as celebridades instantâneas? É um eterno dilema. Na verdade Gramado precisa das duas, mas chegar ao cúmulo de ter na dupla Zezé Di Camargo e Luciano a maior atração do ano passado e Sandy e Junior deste ano, é uma decadência para o festival.

Pra completar, Gramado enfrenta, há três anos, uma investigação de suas contas. O Ministério Público abriu um processo a partir de denúncias sobre má gestão e superfaturamento de despesas do Festival. A presidência do certame mudou pouco antes de começar a disputa deste ano. Os investimentos previstos via Lei de Incentivo à Cultura só serão liberados depois da conclusão da investigação. Tudo isso faz com que o Festival aponte sinais de cansaço, com uma nítida falta de energia, desmotivação de seus próprios membros e uma falta de direção para o evento. Ou seja, desta vez, o "repensar" é urgente. Gramado corre o risco de morrer, ou de pelo menos ir para a UTI, com sua estrutura superficial e filmes de segunda categoria. Se não agir rápido, o Festival que ainda goza de prestígio, pode ficar mais gelado que os termômetros da serra no Rio Grande do Sul.

 
Envie sua opinião sobre esta coluna.

Leia as colunas anteriores de Renato Martins.
 
    Topo
 
  PROCURA


   ANÚNCIOS



 


Lista Completa de Filmes :|: Filmes em Cartaz :|: Filmes Inéditos :|: Atores :|: Diretores :|: Críticas :|: Pedidos :|: Colunas :|: Cinenews :|: Festivais :|: Fórum. :|: Promocine :|: Equipe :|: Anuncie
Adoro Cinema :|: Adoro Cinema Brasileiro
© Copyright 2001-2007A.C. Agência Digital - Todos os Direitos Reservados
Design por: Leo Faria Design