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O
Fabuloso Destino dos Tenenbaums
Elenco
e idéia garantem o diferencial do filme, que está
indicado ao Oscar de melhor roteiro original
Sinceramente,
eu esperava mais de Os Excêntricos Tenenbaums.
Para um filme que surge na mídia com toda a pinta de
alternativo e cult, com elenco povoado de estrelas desempenhando
papéis fora de seus padrões, até que
me decepcionei um pouco. Esperava mais humor, mais pimenta,
mais surpresas na história de um pai (Gene Hackman)
que tenta voltar para casa depois de 20 anos de divórcio.
A exploração desse mote poderia ter sido mais
eficiente, tirando proveito da readaptação e
do constrangimento que um culpado pai pode viver ao enfrentar
tal situação. Fingindo ser adaptado (o roteiro
é original) de um livro que impõe constantemente
sua participação fílmica na tela, quase
virando um personagem, a produção dirigida por
Wes Anderson decepciona em alguns momentos, pois cria
uma expectativa em relação à sua indicação
para o Oscar deste ano na categoria roteiro. Mas, sem brilhos
maiores, Tenenbaums tem o seu charme. E vamos à
ele.
Em primeiro
lugar, a idéia de "pai pródigo" tentando
voltar ao lar, apesar de não original, é apresentada
de maneira inteligente e bem-humorada ao espectador. Ao escalar
Hackman para o papel do progenitor arrependido, a trama
toma outra dimensão. Não é demais lembrar
que Gene, ao longo de seus quase 50 anos de carreira,
transitou entre o vilão de Superman, Lex
Luthor, até o policial preguiçoso de Operação
França, passando por dezenas de outros papéis.
São simultaneamente cômicas e dramáticas
as tentativas do sr. Tenenbaum de retomar a vida em
família, ser aceito pelos filhos, ser perdoado pela
ex-mulher e ao mesmo tempo enfrentar o ciúme quando
observa um pretendente (Danny Glover, também
atuando de forma soberba) se aproximar da sra. Tenenbaum.
Carismático e ridículo, Hackman faz o
povo rir e chorar discretamente e quase ao mesmo tempo.
Numa Nova
York de tempo indefinido, mas cheirando a anos 70, todos os
habitantes da casa são desequilibrados e excêntricos
- como o nome do filme diz -, a começar pelos filhos,
um mais maluco do que o outro. Ben Stiller, cada vez
melhor e mais distante das comedinhas que o consagraram -
Quem vai Ficar com Mary?, Entrando numa Fria
-, interpreta o filho paranóico e que ficou amargo
demais para a vida depois da morte da mulher. Controlador
dos dois filhos, não perdoa o pai pelo que fez. Gwyneth
Paltrow nem parece a mesma de Shakespeare Apaixonado:
faz a filha adotiva e problemática, que fuma desde
a infância sem ninguém saber. Hilária
e intrigante. Luke Wilson (Legalmente Loira)
abandona a tentativa de virar galã por instantes e
cai no papel do filho tenista famoso que entra em crise de
identidade. A casa se completa com a presença de Anjelica
Huston, competente e comedida no papel da mãe durona.
O irmão
de Luke, Owen Wilson - O Pentelho, Armageddon
- completa a lista dos doidos, interpretando um vizinho de
infância que cresceu junto à família Tenenbaums,
despertando a paixão na menina dos Tenenbaums e despertando
a ira de seus irmãos protetores. O filme ganha humor
quando entra em cena o mordomo Pagoda, que protagoniza
as mais divertidas e inusitadas (e discretas, por mais difícil
que possa parecer) situações. Ele é uma
espécie de espião na família, ainda fiel
ao sr. Royal Tenenbaum. O papel cabe ao indiano Kumar
Pallana, que também trabalhou nos outros filmes
do diretor Wes Anderson.
Aliás,
uma série de curiosidades entrelaçam os integrantes
da produção: Owen está no elenco
e também escreveu o roteiro com Wes, que também
dirigiu Três é Demais, onde também
atuou. E neste filme anterior também lá estava
Bill Murray, que aqui nos Excêntricos...
faz o papel de psicanalista-mala-bem-sucedido e marido traído
do personagem de Gwyneth. Também Owen
e Gene Hackman estiveram juntos em Atrás
das Linhas Inimigas, e Owen também atuou
com Ben Stiller em Entrando numa Fria. E Gene
e Danny Glover fizeram vozes para FormiguinhaZ.
Mas isso é perfumaria, pois a indústria de Hollywood
é assim mesmo, se auto-alimentando sempre. O importante
é que os Excêntricos na verdade mostram
sua fabulosa história aos espectadores e é um
grande show de aparições e talentos, que se
completa com a voz eficiente de Alec Baldwin, que ajuda
a narrar os episódios. Um roteiro que lembra às
vezes o estilo de narrativa de Amélie Poulain,
que é concorrente na mesma categoria de roteiro original
no Oscar. Mas mesmo que Tenenbaums seja menos premiável
que Amnésia, por exemplo, que também
está indicado para a mesma categoria, o filme tem o
seu valor. E vale a pena ser conferido. |