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Cena de Cinema
por Renato Martins

Riders in the Sky
Só astros veteranos brilham no novo filme de Clint Eastwood

Ninguém gostou dos mais recentes filmes de ficção científica que chegaram ao mercado. "Missão Marte", de Brian de Palma com Gary Sinise, "A Reconquista", com John Travolta e o mais recente "Supernova", com Angela Basset e Kevin Bacon, foram todos recebidos com frieza pela crítica e poucos espectadores nas salas. De fato, é difícil fazer um bom filme do gênero sem cair no ridículo dos excessos de maquiagem, das roupas prateadas e das armas que soltam raios. Sem falar naquele barzinho que aparece em tudo que é filme, onde os seres mais estranhos – com três pés, um olho e duas bocas - convivem na mais santa paz. E tem mais: já se foi o tempo em que o público embarcava nos delírios de "Guerra nas Estrelas" e "Jornada nas Estrelas", os grandes mestres do assunto. Mas vocês querem saber? Eu até que curti "Missão Marte".

Ninguém gostou também dos últimos filmes de Clint Eastwood. Críticos caíram de pau em cima do caubói setentão quando ele quis criticar as influências da mídia no sub-mundo político em "Poder Absoluto", desperdiçou os talentos de Kevin Spacey e John Cusack em "Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal" ou tentou se transformar num detetive-repórter em "Crime Verdadeiro". Mas vocês querem saber? Já me adianto e digo: até que gostei de "Cowboys do Espaço". Uma mistura desse jeito desastrado de dirigir com a ingênua aventura espacial. Ingênua pois quando os astronautas voam quilômetros para fora da atmosfera para enfrentar desafios que envolvem grandes conflitos internacionais, o espectador só poderá gostar do filme se mergulhar na história, envolvendo-se na aventura sem grandes barreiras críticas.

Aliás, esse roteiro previsível astronautas-missão no espaço-final trágico mas vitorioso voltou à tona no final dos anos 90 com "Armaggedon", passou pelo já citado "Missão Marte" e agora se repete em Cowboys. Bem, desculpem se já antecipo alguns momentos da fita, mas qualquer um sabe que juntar quatro velhinhos numa nave espacial não resulta em um final totalmente feliz. O fato é que Clint (70), Donald Sutherland (66), James Garner (72) e o caçula da turma, Tommy Lee Jones (54), interpretam um grupo de astronautas que perde uma missão espacial nos anos 50 para um macaco, e quarenta anos depois a equipe tem uma nova chance. Os exames médicos dos veteranos e os testes pré-decolagem rendem boas piadas ao filme, que só perde o pique quando começa a ficar sério. O chato da obra de Clint Eastwood – que foi homenageado em Cannes com a projeção deste filme, inclusive – fica por conta de Ken Kaufman e Howard Klausner, responsáveis pelo roteiro americanista que mais uma vez ressuscita a guerra fria: o satélite russo que o quarteto vai resgatar é na verdade uma perigosa arma nuclear. Mais um lugar comum que poderia ser substituído por um desafio mais criativo – afinal os senhores de idade merecem respeito. Há até mesmo aquele astronauta mais jovem, que tem inveja dos mais velhos, que embarca junto na nave a serviço do vilão da história (James Cromwell, mais um veterano, com 60 anos) e na hora H se rebela e começa a dar problemas. O final inevitavelmente nos remete à mesma conclusão de "Armaggedon" e "Missão Marte" (desculpem a repetição), sendo que a cena final da lua seria completamente dispensável e daria mais charme ao filme de um homem que tão importante para o cinema pela série Dirty Harry e títulos como "Os Imperdoáveis".

Clint é menor no filme, tanto na direção quanto na atuação. Tommy Lee Jones está sempre correto, mas a dupla Sutherland e Garner é quem se destaca mais: o primeiro como um mulherengo e o segundo como um religioso convertido. Mas Space Cowboys tem um grande mérito: é um filme que é vendido sem nenhum nome jovem de destaque no elenco, nem tem a presença de belas mulheres – embora a mocinha que se apaixona pelo velho astronauta também esteja lá. Os protagonistas são quatro veteranos mesmo, envelhecidos pelo tempo e cujos diálogos entre eles é que sustentam boa parte do filme. E claro, a experiência de todos, pois se estão mal tratados pela idade, estão com o talento em dia, diga-se de passagem.
 
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