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Depois
da Vingança do Mosqueteiro
A
arquitetura da vingança é o tema principal de
O Conde de Monte Cristo
O ator
Jim Caviezel está, nesta semana, sendo acusado
injustamente duas
vezes e condenado à prisão duplamente. Em Crimes
em Primeiro Grau, ele é um militar apontado como
o causador de mortes de inocentes civis em El Salvador e por
isso vai a julgamento numa corte militar secreta. Sua esposa,
a advogada vivida por Ashley Judd, faz de tudo para
provar sua inocência e pede ajuda ao velho e bom marinheiro
Morgan Freeman. Em O Conde de Monte Cristo,
mais uma adaptação da clássica história
de Alexandre Dumas para o cinema, Caviezel é
traído pelo seu melhor amigo e acaba sendo mandado
para a prisão - também injustamente. Enquanto
o primeiro filme se passa no mundo contemporâneo, com
uma história que mistura elementos políticos
e históricos, o segundo se baseia unicamente nos sentimentos
mais atávicos da humanidade: amor, riqueza, traição
e vingança. Aliás, este último é
o que move o texto e o filme. A arquitetura do revide é
o tema principal que acompanha o personagem principal em sua
saga em busca da liberdade.
O jovem
francês Edmond Dantes está em ascensão:
conseguiu salvar o barco em que trabalhava da atuação
de piratas e acabou ganhando uma promoção. Virou
capitão, dando alegria a seu pai e sua jovem noiva
(a polonesa Dagmara Dominczyk, mais uma beleza revelada
por Hollywood, que fez uma ponta em Rock Star), com
quem agora pode casar. Mas o problema é a amizade invejosa
do companheiro de barco Fernand Mondego (Guy Pearce,
se redimindo da péssima atuação de A
Máquina do Tempo), com quem viveu grandes aventuras,
ainda que este repita "não vai sempre assim..."
E não
foi. Mondego, descendente de nobres, quer tudo que
o plebeu tem, inclusive a mulher dele, por quem nutre uma
paixão descarada. Até que surge a oportunidade
para traí-lo. Até aí já temos
uma boa história, mas tudo vai ficando mais incrível
quando Dantes vai injustamente para uma prisão
isolada e lá, durante 13 anos, constrói pouco
a pouco sua vingança. Ignorante, sem saber ler nem
escrever, o personagem de Caviezel (que mostra um crescimento
desde filmes como Além da Linha Vermelha e Alta
Freqüência) aprende a arte da fuga e recebe
sabedoria de um velho prisioneiro interpretado pelo sempre
excelente Richard Harris (o professor Dumbledore,
de Harry Potter), na flor de seus 71 anos. Da prisão
Dantes ainda sai com um mapa do tesouro - calma, gente,
é uma história infanto-juvenil escrita no século
XIX - e conquista assim liberdade e suporte financeiro para
atingir seus objetivos de vingança.
É
óbvio: a história é maravilhosa por si
só. O escritor francês que criou também
Os Três Mosqueteiros (recentemente adaptado novamente
para as telas em A Vingança do Mosqueteiro)
e tantas outras fábulas que foram adaptadas para o
cinema, fez uma obra de recheada de conteúdo dramático
empolgante. Além do eixo principal, baseado no personagem
sofredor, assistimos também a outras tramas paralelas
na obra. O resultado é um filme de ação
com algo raro: história. O livro de Dumas foi
adaptado inúmeras vezes para o cinema e para a TV:
1908, 1913, 1934, 1943, 1955, 1961 e 1988, só pra citar
alguns. Mas Kevin Reynolds sabe das coisas. Apesar
de ter entrando em barcas furadas ao lado do amigo Kevin
Costner, como em Waterworld, também realizou
bons filmes de aventura como Robin Hood, de 1991. Nesta
nova produção ele é beneficiado, pois
além de uma boa história conta bom orçamento
e atores promissores.
O Conde
de Monte Cristo é um programa completo, como nas
velhas matinés, repletas de aventuras de capa e espada
e doses controladas de romance. Claro que tem suas falhas,
como algumas mudanças de posturas de personagens que
acontecem muito rapidamente, o que deixa uma ou outra seqüência
um pouco mais artificial. Mas faz parte do gênero literário,
só que no cinema essa artificialidade fica mais aparente.
Ainda assim é um enredo primoroso. O grande responsável,
porém, é mesmo Alexandre Dumas. O homem
que foi filho de um marquês com uma escrava haitiana
foi renegado pelo pai, virou um renomado general de Napoleão
Bonaparte (que está na história inclusive)
e casou com uma humilde dona de taverna tem muitas histórias
para contar. E esta é apenas mais uma delas, que vale
a pena ouvirmos (e vermos) de novo. |