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| Cena
de Cinema |
por
Renato Martins |
Disque S para Ser Salva
Adrenalina, timing e bom roteiro garantem qualidade de
Celular
Rápido
como deve ser uma ligação celular, o novo filme
de Kim Basinger - maltratada pelo tempo e pelo Botox - é
também indolor. Puro passatempo, Celular
cumpre seu objetivo de maneira eficiente já desde o
princípio. O seqüestro da protagonista acontece
aos 3 minutos de filme, sem prólogos nem delongas.
Perfeito. A partir daí, obviamente veremos jogadas
impossíveis, como a ligação em si que
ela faz de um telefone destruído para o celular de
um desconhecido (Chris Evans, de Não
é Mais um Besteirol Americano), que ficará
ao telefone durante boa parte do filme (me digam qual é
o nome dessa operadora, hein??) e tentará libertá-la.
O tradicional jogo de caça do gato e do rato se arma
rápida e talentosamente, mas serão muitos os
gatos e muitos os ratos. Os chavões virão a
milhão e a frase ''se é possível'' vai
aparecer bastante, mas não mais do que em tradicionais
filmes de James Bond. Porque então não usar
fórmulas semelhantes em filmes pipoca como este?
A professora de biologia - e isso mais tarde será útil
no roteiro - Jessica Martin é raptada sem saber porquê,
e dali a pouco há algo estranho que seu marido está
metido que vai lhe complicar a vida. Tudo piora quando a gangue
também seqüestra o filho pequeno do casal, que
acaba virando um refém delicado num jogo de vida ou
morte. Mas nem filho nem marido são importantes na
história: eles são alegorias para que o personagem
feminino materno desempenhado irregularmente (às vezes
bem, às vezes farsesco demais) por Kim reine. É
ela que faz a ligação para tentar ser salva,
é ela que desafia os bandidos e traça um plano
para escapar. Tudo à sua maneira e dentro das suas
possibilidades. Ela começa meio ''MacGyver'', com a
história do telefone, mas depois é tão
ousada como qualquer dona de casa. Mas suas tacadas rendem
boas cenas de tensão e aventura.
A outra parte boa do filme é o durão Jason Statham,
que surgiu no cinema inglês como um mero assessor caricato
de quadrilhas risíveis de "Jogos, Trapaças
e Dois Canos Fumegantes" e Snatch,
chegou a ganhar um filme para si em Carga
Explosiva (que não é ruim, e já tem
seqüência filmada). Agora ele é vilão
e consegue passar toda a crueldade e violência que a
posição lhe exige, ao lado de comparsas igualmente
estereotipados mas movidos por um motivo bem estabelecido
no roteiro: os seqüestradores estão envolvidos
num plano que precisa tirá-los de uma sinuca de bico,
que os leva aos atos extremos. Tudo justificado, dentro da
lógica de um criminoso. Jason irá igualmente
odiar e perseguir o jovem garoto que recebe a ligação
de Jessica, que saiu de um mundo de praia, belas garotas e
sol para atender à história inicialmente inverossímil
da professora em apuros.
O filme ainda tem o ótimo William H. Macy (o radialista
de Seabiscuit),
que tem vivido os melhores papéis de sua carreira nos
últimos anos, em personagens discretos em filmes menores.
Macy faz o policial honesto e em fim de carreira que tenta
desvendar tudo, com muita dificuldade. Noah Emmerich, que
foi o amigo inseparável de Jim Carrey em O
Show de Truman, mais magro, faz o chefe de uma divisão
de homicídios que lhe permite umótimo desempenho
como ator, principalmente em momentos chaves, onde verdade
e mentira estão em confronto. O filme ainda tem a gracinha
Jessica Biel, que esteve no remake de O
Massacre da Serra Elétrica e está no novo
Blade
Trinity.
Não há a mínima profundidade em Celular
e o merchandising dos novos telefones da Nokia é explícito.
Até os velhos aparelhos, utilizados pelos bandidos,
estão em cena. Mas isso não incomoda, pois a
produção se assume como entretenimento, garantindo
surpresas, pequenas reviravoltas (na medida certa), ritmo
intenso no roteiro, boas saídas, bons lugares-comuns
e principalmente duração exata: curto, pra não
onerar a conta telefônica. |
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