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Uma
Comédia Animaaaaal
Novo
filme de Rob Schneider reduz o humor grotesco e se sai bem
Balde
de pipoca, refrigerante e última fila de poltronas.
É essa a situação exata para se assistir
o filme Animal, com Rob Schneider, em cartaz
nos cinemas brasileiros. Sem pretensão, bem relaxado
e esperando assistir mais uma bela bobagem produzidas pelas
produtoras americanas que aproveitam o "sucesso"
dos humoristas que oriundam do Saturday Night Live,
um dos programas cômicos mais famosos - senão
o mais - da televisão americana. De lá saiu
gente como Steve Martin, Adam Sandler, Chris
Rock e até mesmo Eddie Murphy, entre dezenas
de outros que são despejados nas telas anualmente.
Uns são bons e ficam famosos. Outros quebram o galho
e faturam uma bilheteria razoável. Uma terceira facção
desaparece no cenário cinematográfico mundial
e não fazem a mínima diferença para o
crescimento do gênero comédia no que se refere
à sétima arte. Schneider estava na terceira
categoria e parece estar subindo para a segunda. Está
longe de estar entre os primeiros, como Eddie Murphy
ou Steve Martin, mas nesse seu novo filme apresenta
armas para começar a ser igualado a gente como Adam
Sandler, por exemplo.
Claro que
Sandler tem muito mais projeção, rende
mais bilheteria e é mais popular nos EUA. Depois de
filmes como O Paizão e Little Nicky,
o comediante de cara abobalhada conquistou mais hordas de
jovens adolescentes quase tão (ou mais) babacas do
que eles. Platéias maravilhosas, que consomem anualmente
este tipo de cinema de diversão quase sem conteúdo
e recheado de humor grotesco. Ao mesmo tempo, multidões
que podem facilmente ser manipuladas e que se transformam
em seguidores de seus ídolos. Em suma, filmes desprezíveis
com seus públicos pouco representativos - embora numerosos.
Foi justamente com Adam "O Rei da Água"
Sandler que o ator Rob Schneider começou
como coadjuvante, até que em Gigolô por Acidente
(1999) ganhou seu papel principal. O filme deu certo nas bilheterias,
embora a história tenha se encaixado exatamente nesse
estilo de filme popular-sem-conteúdo. Particularmente,
tinha achado fraco o desempenho do comediante nesta fita,
o que começou a mudar ao assistir Animal.
Com tudo
isso ele consegue se preservar e apresentar um bom trabalho
cômico nesta nova produção, explorando
caras e bocas com precaução, mantendo-se distante
da linha Jim Carrey ou Jerry Lewis, e, mesmo
tendo sido apadrinhado por Sandler, o ator consegue
se proteger de quaisquer influências em demasia. A amizade
fica mais aparente no momento que Adam faz uma ponta
no final deste Animal, coisa que Schneider já
tinha feito em Little Nicky. Mas o filme já
arranca com uma boa história, o que ajuda nosso homem
na comédia: um sujeito que trabalha como encarregado
geral de uma delegacia sonha em ser policial, mas não
passa nos testes e não tem os atributos físicos
e mentais para desempenhar a função. Ajudado
por amigos igualmente perdedores - um gordo e um negro, no
mais absoluto humor politicamente incorretos -, Marvin,
o herói da trama, tenta provar que pode ser um policial
de verdade. Mas enfrenta também o despeito e a concorrência
dos colegas policias "durões", que já
trabalham nas ruas combatendo o crime. Depois de um acidente,
ele tem seus órgãos substituídos por
outros extraídos de animais, numa experiência
científica estrambótica, capitaneada por um
médico maluquete. Depois do processo, Marvin
ganha as qualidades que tanto precisava para ser policial.
Fareja como um cachorro, corre como um cavalo, enxerga como
um gato. Está aí o Animal do título.
O roteiro fecha redondo - embora trilhando caminhos previsíveis
- com a presença feminina de uma garota zen, não
por acaso apaixonada por animais, que acaba se sentindo atraída
pelo policial novato com estranhas características.
Ela é Colen Haskell, revelada na série
de TV americana Survivor, o "No Limite" deles,
e que aqui, ao lado de Rob, faz sua estréia
em longa-metragens.
Além
do argumento criativo, das situações engraçadas
e da atuação contida de Rob Schneider,
o filme tem o mérito de controlar-se na medida certa
em relação às piadas de mau gosto que
têm dominado o cenário recente das comédia
americanas. Até para se fazer humor negro é
necessário talento. Juntar uma infinidade de piadas
escrotas, atores medianos e simplesmente jogar na tela com
tempero sarcástico e irônico não basta.
Os irmãos Farrelly, de Quem vai Ficar com
Mary, por exemplo, sabem fazer isso bem. Os irmãos
Coen também, caminhando por um terreno mais sombrio
e um pouco mais distante da piada, mas ainda dentro da comédia.
Já outros títulos descarregados anualmente nos
cinemas e nas locadoras não tem a mesma sorte - ou
competência. Por isso, Animal ganha no momento
em que aposta nessa fórmula mais contida, ao preservar-se
do humor puramente incorreto, para tentar ser engraçado
mais por ser provocativo do que por ser engraçado.
Obviamente, o filme de Luke Greenfield não escapa
de ser considerado uma bela bobagem, daquelas que se assiste
com um balde pipoca e um refrigerante, na poltrona da última
fila do cinema. |