Quem têm medo do primo Basílio?

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20/03/2010 0

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Dizem, não é de hoje, que eu tenho implicância com o cinema nacional. Não é verdade, o cinema nacional é que tem implicância comigo. Fui ver Saneamento Básico, filme do Jorge Furtado, diretor de pelo menos uma obra-prima, o curta metragem Ilha das Flores (vencedor do Urso de Prata no festival de Berlim). Cheguei todo pimpão no cinema e... ué... cadê o filme que estava aqui? Pois graças ao nosso eficientíssimo e bem organizado circuito exibidor o filme não ficou em cartaz nem uma semana completa. Sendo substituído por Primo Basílio. Não saí de casa para ver O Primo Basílio. Já li o livro do Eça de Queiroz (recomendo, aliás), já vi a minissérie da Globo... mas como quem está na chuva se molha mesmo... vamos lá. * * * Primo Basílio tem sido encarado como a salvação do cinema brasileiro em 2007. Vejamos. Somadas todas as bilheterias nacionais de 2007 - alguma coisa perto de 5 milhões de espectadores - não se chegou à bilheteria de 2 Filhos de Francisco, lançado em 2005 e que contou com cerca de 5,5 milhões de pagantes. E olha que já foram lançados mais de 40 filmes esse ano. É coisa de arrepiar. Quatro dezenas de filmes que não chegaram à bilheteria de um. Mas não há mistério algum nessa equação maluca. É só se ligar no naipe dos filmes: A Grande Família - O Filme, Xuxa Gêmeas, O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili, Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo, Ó Paí, Ó, Caixa Dois, Cartola, Antonia... enfim... o povo parece que está tomando juízo (crítico). Qualquer vendedor de limões sabe que esses filmes são gigantescas bombas de enxofre fedorento. Não adianta chorar a falta de bilheteria e nem reclamar do esquemão hollywoodiano, esse é um bode expiatório que já era... os filmes são enforcados por suas próprias ruindades. Curiosamente Primo Basílio não faz parte desse time aí em cima. Pois é... quem diria... * * * Antes de tudo Primo Basílio é uma produção brega, muuuuiiito brega, demais da conta. Uma novela das seis superproduzida. Mas diverte, causa tensão, em alguns momentos toca a platéia. O triângulo amoroso entre Luísa, Jorge e o tal do Basílio não traz novidade nenhuma. É o velho esquema marido-viaja-e-esposa-libera-pro-primo-gostosão. Você com certeza já viu isso em algum livro do Nelson Rodrigues ou em algum dramalhão mexicano do SBT. Os atores... bem... A Luísa de Débora Falabella é a aquela coisa sem graça mesmo, não convence nem em Malhação. Reynaldo Gianecchini como o marido traído (a cara do Clark Gable! Praticamente um clone!) é esforçado, tenta passar humanidade ao personagem cornudo, mas o galã ainda é um ator limitado. Fábio Assunção foi uma boa escolha para o canastrão Basílio, o ator destila uma canalhice na medida. E, como não podia deixar de ser, Glória Pires é a coadjuvante que acaba ganhando as cenas como Juliana a empregada-verdugo que fica sabendo das peraltices sexuais da patroa. A bela Simone Spoladore também brilha em um papel menor, mas bem bacana, boas tiradas do filme vêm dela e sua Leonor "Maçaneta". * * * Apesar do choro dos tradicionalistas a transposição da história de uma mofada Lisboa do século XIX para a São Paulo dos anos 50 foi uma boa sacada do veterano diretor Daniel Filho. A fotografia é bem cuidada, a cenografia e o figurino são de primeira (nada como ter os guarda-roupas da Rede Globo à disposição). Resumindo, o filme é bem produzido, é bonito esteticamente, apesar das cenas... quentes... serem bem esquisitas, mecânicas, forçadas... não... animam ... a não ser que você seja chegado(a) numa bunda de homem, isso tem pra dar e vender (com trocadilho, por favor). O único ponto verdadeiramente negativo do filme é a música de Guto Graça Mello. As cenas de pegação ganharam uma trilha sonora de motel de beira de estrada, de puteiro da Praça Mauá. Os diálogos também são piegas, mas Eça de Queiroz era um autor piegas. No mais, Primo Basílio é um filme inegavelmente bem feito, com atuações medianas e uma história idem. Não é recomendado para cinéfilos mais exigentes, mas para quem só quer assistir um filme, sem pretensões, vale o ingresso. Quando as luzes se acenderam alguns casais secavam as lágrimas, acho que isso é a melhor crítica que um filme poderia ganhar. * * * Como é público e notório, essa singela e humilde coluna conta com uma comunidade no infame Orkut. Pois bem, amigos, contava. Pois por esses dias fui visitar a dita cuja e eis que... ué... a coisa simplesmente desapareceu, evaporou-se, chá de sumiço na veia. Já me disseram que essas coisas são comuns no doido universo Orkutiano. Comunidades e perfis sumirem como jangadas no Triângulo das Bermudas. Entrei em contato com os responsáveis do site (por incrível que pareça existem responsáveis por aquela zona) e nem eles souberam me dizer o que aconteceu. O volume de informação é muito grande - explicaram - simplesmente não dá pra gerenciar tudo. Enfim... mistério... desses que nem o Paulo Coelho explica.