Quebrando o Galho

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17/03/2010 0

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A coisa toda não cheirava bem, não mesmo. Havia um... digamos... um presságio sinistro no ar. Até a lua, encoberta por nuvens cor pêlo-de-rato-velho decidiu não dar o ar de sua graça prateada naquela noite. Ah, chapas! Havia motivos, motivos fortes! Motivos para todo tipo de mau pressentimento. Fui assistir O Melhor Amigo da Noiva, comédia romântica, com o eterno príncipe decadente das matinês Patrick Dempsey, tudo isso em uma cópia... Oh, céus... Dublada! Uma combinação dessas dá medo, irmão. Não era sexta-feira treze, mas espíritos zombeteiros pairavam no ar. Pendurei uma cabeça de alho no pescoço e parti pro cinema fazendo promessas pra todos os santos e entidades das quais me lembrava. De Frei Galvão a Ogum Peixe-Marinho... pelo menos um encantado desses devia estar de plantão naquela noite... Até que a coisa não foi tão ruim quanto eu imaginava. Óbvio que em O Melhor Amigo da Noiva não há um átomo de criatividade, não há nada de novo, nadinha. É aquela velha, gasta, surrada, chupada e repetida fórmula: Barnabé (Dempsey, é claro) descobre que é apaixonado pela melhor amiga (Michelle Monaghan, charmosinha e apetitosa) exatamente no momento em que a moça resolve tirar o atraso se casando com um nobre escocês. Pra completar a desgraça do sujeito a amiga ainda o convida para ser sua madrinha de casamento (o título original do longa é Made of Honor). Aí, eu, ignorante de pai e mãe nessas coisas de casório, me pergunto. Na Escócia não existe padrinho de casamento? Povo esquisito esse, não é a toa que andam de saiotes. Well, aí as situações são as mesmas que você já assistiu em trilhões de filmes do gênero, nada inédito, mas com uma companhia bacana (imprescindível!) até diverte, serve como pano de fundo para uma noite agradável. Dica pra você que ficou devendo no dia dos namorados: O Melhor Amigo da Noiva. Afinal, você não pretendia levar sua garota pra assistir O Incrível Hulk? Pretendia? * * * Dizem que depois desse filme Dempsey se tornou o maior galã de Hollywood. Bastou o cara fazer um sucessinho numa série mais ou menos (Grey's Anatomy). A mulherada tem estado pouco exigente mesmo... Afinal o cara continua com a mesma cara de pateta daqueles filmes idiotas feitos por idiotas para adolescentes idiotas dos anos 80. * * * Falando em idiotas, aluguei A Lenda do Tesouro Perdido - Livro dos Segredos. Confesso que não assisti ao primeiro filme e tenho plena convicção que não perdi nada. A gente não precisa entrar numa fossa pra saber que lá fede um bocado. Só pelo fato do longa ter sido inspirado em um carrossel da Disneylândia... bem... isso por si só já é... hummm... desanimador... pelo-amor-de-Deus... um carrossel... Como se isso não bastasse, temos quem como papel principal? Quem? Quem? Ele, Nicolas Cage, o maior garoto-propaganda de perucas do universo! Aliás, a carreira de Mr. Cage vem caindo junto com seus cabelos, ou seja, em ritmo acelerado. É difícil entender que o ator bacana de Feitiço da Lua, Coração Selvagem, A Rocha, A Outra Face e Cidade dos Anjos tenha se transformado no pangaré dos sprays de pimenta que foram O Sacrifício, O Vidente, Motoqueiro Fantasma... Uma decadência maiúscula e vertiginosa! E a culpa não é só dos filmes comprovadamente ruins. Cage sucumbiu ao vil metal (eu também sucumbiria...) e hoje aceita participar de qualquer porcaria, até inauguração de carrocinha de churros. E pensar que o cara já até ganhou um Oscar - merecido - pelo bacana Despedida em Las Vegas. Pois esse pretenso talento, se realmente existiu, já sumiu na poeira faz muita raça de tempo. Nicolas Cage hoje vive apenas do nome, só, é um blefe. A historinha desse Livro dos Segredos poderia até se transformar num bom longa. É interessante: do nada surge um camarada do mal (Ed Harris) com uma página do diário de John Wilkes Booth, o assassinato de Abraham Lincoln, nessa página está o nome do bisavô de Ben Gates (Cage) que, para tirar o nome do parente da lama, vai se meter em algumas enrascadas (nos EUA, em Paris, na Inglaterra...) e de quebra descobrir pistas de um... claro... um tesouro perdido. O problema é que além da falta de carisma de Cage o filme sofre de uma anemia perniciosa, é chato, tudo muito repetitivo, a cena final clonando centenas de filmes similares. Nem um bom elenco salva o filme da apatia: Ed Harris, Helen Mirren, Jon Voight (patético, aliás), Harvey Keitel... Todo mundo trabalhando pra pagar as Casas Bahia... é o grande problema do padrão Disney... filmes família para agradar todo mundo e lotar as bilheterias. O negócio é que nem todo mundo é imbecil. * * * E nossa enquete continua firme e forte. Pra quem foi pra roça e perdeu a carroça aí vai a questão da vez: quem é o grande herói (ou heroína) das telas nos últimos tempos? Votos para Jack Sparrow, Jim Bradock (o boxeador pobretão vivido por Russell Crowe em A Luta pela Esperança) e para o próprio Indiana Jones, que é das antigas mas que continua com fôlego de garoto, já foram computados. È só mandar sua sugestão para o link aí embaixo ou para meu e-mail pessoal: oficinadaspalavras@yahoo.com.br. * * * Blog do autor (atualizado):