Para o Alto e Avante
Superman está de volta e traz consigo Lex Luthor, uma trilha sensacional, momentos emocionantes, momentos engraçados, surpresa, efeitos especiais invisíveis, uma ótima historia, personagens bem construídos, homenagens, citações, momentos de ação na medida certa, Marlon Brando, um herói épico, um diretor fã e comprometido, um ícone e o melhor filme de super-herói de todos os tempos.
Logo nos créditos iniciais os fãs antigos e novos, que viram o primeiro filme, irão se emocionar. Os nomes dos envolvidos no filme aparecem exatamente como no longa de Richard Donner, tudo ao som da fantástica música-tema criada pelo mestre Jonh Williams. Com isso já dá para imaginar que o filme que está para começar, pelo menos, tem um enorme respeito pela mitologia do personagem e pelos fãs. E, já arrepiado, o espectador espera que esse seja o começo de um grande filme. E o longa não decepciona.
A escolha de elenco está perfeita, assim como a escolha do diretor. Bryan Singer sempre foi fã do Super-Homem e já tinha feito um estágio para filme de super-heróis com o bom X-Men, que junto com Homem-Aranha abriu as portas para a nova safra de filmes baseados em Super-Heróis, e o ótimo X-Men 2. A evolução que era prevista para o X-Men 3 acaba acontecendo em Superman, onde Singer faz seu melhor e mais maduro filme. Assim, a Warner evita erros do passado como os dos dois primeiros Batman, dirigidos por Tim Burton, um ótimo diretor mas que nunca tinha lido um HQ do morcego antes de ser convidado para filmá-lo. Bryan dirige muito bem, tanto as cenas dramáticas quanto as de comédia, e nas de ação dá um show. Ele cria cenas plasticas e belas, como a sequência na qual o Super sobe depois da atmosfera para escutar os problemas da humanidade.
O elenco também é muito bom. Brandon Routh está ótimo como o Super e como Clark Kent. O jeito bonachão de Clark está presente e também a intensidade do homem de aço. Com certeza Christopher Reeve, que é homenageado com justiça nos créditos finais, está satisfeito de ter o uniforme que o deixou imortal preenchido por um bom ator. Kate Bosworth está boa como Lois Lane e, completando o triângulo principal, Kevin Spacey dá um show como Lex Luthor. O vilão careca está cômico, transloucado, obcecado, maligno e ainda assim adorável. O maior herói do mundo merece um vilão à altura e Lex está maravilhoso. Difícil vai ser aturar o Lex de Smallvile depois desse filme. Jimmy Olsen também está bastante divertido e fiel aos quadrinhos. A presença de Marlon Brando, principalmente da sua voz como Jor-El, também contribui muito para película, funciona como um leme, uma linha que segue paralela a todo o filme. A frase pronunciada por Jor-El é a essência do longa.
A história do filme é muito boa e o roteiro muito bem amarrado. O humor está bastante presente, principalmente às custas de Clark. As cenas dramáticas muito bem executadas e dirigidas. Os personagens têm tempo para se desenvolverem e as sequências de ação propriamente dita são poucas, se me lembro bem existem apenas duas grandes sequências de ação. E que sequências! A do avião e a do confronto com Lex são de tirar o fôlego. Com a quantidade reduzida de cenas de ação os personagens e os dramas ganham mais tempo na tela para evoluir e as cenas de ação se tornam mais impactantes, ganham maior força, não ficam diluídas. O roteiro tem diversas coisas sutilmente plantadas e que colhem fruto ao longo da película. Além disso uma grande surpresa está presente no filme, algo que eu não esperava e que dá uma força a mais ao longa. Muito bem dirigido, nada está demais no filme, tudo está na medida certa. As cenas de ação são pontuadas com a maravilhosa música-tema original de Jonh Williams, causando um arrepio na platéia. A trilha sonora do filme está muito bem escolhida e casando muito bem com as cenas. A história é recheada de referências à mitologia dos quadrinhos e do cinema do homem de aço, o que dá um sabor especial para os fãs.
Os efeitos especiais estão perfeitos, eles desempenham seu papel com precisão dando credibilidade a tudo o que acontece no filme e ficam longe do simples show pirotécnico de muitos filmes hollywoodianos. Os efeitos estão a serviço da história e não a história a serviço dos efeitos.
Tudo isso ajuda o espectador a mergulhar em um caráter de suspensão da realidade e viajar nesse mundo de fantasia ao lado do homem de aço. Superman - O Retorno não é uma perfeita adaptação dos quadrinhos para o cinema, mas sim um maravilhoso filme. Todos os elementos do herói épico estão presentes e o filme se transforma em uma grande apoteose que arrebata o espectador, vai além dos quadrinhos. O longa não reinventa o herói, ele pega todos os aspectos do homem de aço que todos conhecem da tv, do cinema e dos quadrinhos e faz com isso um grande filme com um ar bastante familiar. É como se você estivesse assistindo a um clássico. Afinal, não há lugar no mundo que as pessoas não conheçam o Superman.
A Marvel com Homem-Aranha, X-Men e tantos outros tem ótimas histórias, grandes heróis e bons filmes, mas a DC mostra com os últimos Superman e Batman que ela ainda tem os melhores do mundo.
É importante também dar o crédito aos criadores desse mito Jerry Siegel e Joe Shuster. E enfim, quem assistir o filme descobrirá que realmente o mundo precisa do Super-Homem.