Um Dia Perfeito
Um filme que não se decide que história quer contar e acaba não contando nenhuma. O longa tenta contar em uma hora e meia um dia na vida de um libanês. Durante esse dia o protagonista, que vive com a mãe, vai assinar os papéis que declaram a morte do pai desaparecido há 15 anos, corre atrás de uma namorada que não quer nem vê-lo e quer curar uma doença que não lhe deixa descansar e faz com que durma nos lugares e horas mais inapropiadas.
A quantidade de intrigas é tamanha que nenhuma consegue ser desenvolvida satisfatoriamente. A narrativa que trata da aceitação da morte do pai pelo protagonista e por sua mãe, que não quer aceitar essa morte, poderia render um bom filme, mais fica superficial e restrita a poucas cenas. A tentativa de reatar com a namorada é surreal, poderia ser um link entre a história da negação da mãe de aceitar a morte do pai e a dele de aceitar a rejeição da mulher amada, mas essa relação não é explorada. A história com a namorada não diz nada e é completamente fora da realidade. Existem diversas cenas dispensáveis que só servem para deixar a trama ainda mais diluída.
Vários elementos que pouco tem a ver com a trama e nada trazem a história ou ao personagem permeiam o longa, contribuindo para tirar a atenção do que quer que o diretor quisesse passar. Cigarros que são oferecidos e aparecem em todo o filme, inclusive rendendo uma cena no hospital que dá vontade de sair da sala de cinema de tão ruim e completamente fora de sintonia, futebol através de bandeiras, jogo na tv e notícias no rádio, está presente em diversas cenas e nada tem a ver com o longa e ainda uns seguranças da rua onde o protagonista mora com a sua mãe que também nada trazem a história.
A única coisa interessante é o uso do celular no longa. Esse é usado de forma criativa e se torna quase um personagem do filme. O toque insistente do celular do filho, mostra a solidão da mãe. A troca de mensagens pelos aparelhos de celular rende uma boa cena, talvez a única do filme.
O filme planta diversas questões no seu decorrer que não são respondidas. O final é totalmente insatisfatório e sem pé nem cabeça. Um filme que mais parece um anúncio de cigarro e de celular. Uma narrativa sem uma estrutura definida e que se arrasta. Em alguns momentos é possível que o espectador se identifique com o personagem e acabe pegando no sono.