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Sétima Arte
por Francisco Russo

Involução Mutante
Possível desfecho é também o pior filme da série


O grande tema da série X-Men sempre foi a questão entre humanos e mutantes, não apenas envolvendo os dois grupos como um todo mas também em relação aos próprios personagens da série. Foi assim em X-Men, ao mostrar a infância de Magneto na 2ª Guerra Mundial e o drama de Vampira, e também em X-Men 2, no relacionamento de Bobby Drake e sua família. Mesmo dentro de uma aventura que envolvia vários personagens, sempre havia espaço para trabalhar os dramas pessoais de alguns deles. Esta característica foi o grande diferencial dos dois primeiros filmes da série, que além de ter boas cenas de ação também trabalhavam um lado mais dramático. A ausência desta característica é o grande pecado de X-Men - O Confronto Final.

Não se trata de um filme ruim, é bom ressaltar de antemão. X-Men - O Confronto Final dá continuidade aos eventos narrados no filme anterior com competência, buscando não apenas trazer mais uma aventura dos X-Men mas também avançar na história, com mudanças importantes em vários personagens. Não se trata de algo tipo as séries 007 ou Missão Impossível, onde antes mesmo do filme começar já se sabe que o mocinho sairá vitorioso no final, para retornar triunfante no próximo filme da série. Aqui não. O subtítulo "O Confronto Final" vale para alguns personagens, que tem seu - aparente - final neste filme. O universo mutante, seja o liderado por Magneto ou Charles Xavier, sofre profundas mudanças. Este é um ponto positivo, já que o desenrolar da trama surpreende o espectador pelo desfecho que até então se imaginava improvável.

O maior problema de X-Men - O Confronto Final é que ele quase abre mão de trabalhar seus personagens em função de ter mais cenas de ação. A única exceção é Jean Grey, cuja infância é inclusive mostrada na cena inicial, mas cujo foco é mais devido à sua transformação em Fênix. Mesmo os novos personagens, Fera e Anjo, são pouco trabalhados. Sabe-se que o Fera já esteve na escola de Xavier e que é o representante do governo para assuntos mutantes, mas apenas isso. Não há a menor ambientação dele para com os demais mutantes no sentido de criar elos com outros personagens, como aconteceu tantas vezes nos filmes anteriores. Cito, como exemplo, Wolverine e Vampira no 1º filme, Tempestade e Noturno no 2º, os inicialmente amigos Homem de Gelo, Vampira e Pyro também no 2º, e ainda o triângulo amoroso entre Wolverine, Ciclope e Jean Grey.

Outro ponto positivo do filme, mas também pouco trabalhado, é a trama em torno da "cura" dos mutantes. A existência da possibilidade de não mais ser mutante traz reações diversas, desde a ofensa por esta possibilidade existir até a visão de que esta possa ser a salvação pessoal de alguns, pela simples fuga do preconceito existente ou de poderes que são considerados prejudiciais. O assunto surge através de rápidos comentários de alguns personagens, mas logo é encaminhado rumo ao confronto entre os X-Men e o grupo de Magneto, em busca de mais uma cena de ação.

No geral X-Men - O Confronto Final é um filme razoável, que fica muito aquém dos anteriores da série. A opção por mais cenas de ação em detrimento dos conflitos pessoais faz com que este seja um filme com bem mais explosões e efeitos especiais, mas também menos rico em conteúdo. Há ainda uma enxurrada de mutantes coadjuvantes, nem sempre fiéis às suas versões dos quadrinhos mas que servem como curiosidade. E um aviso: há uma cena, importantíssima, após todos os créditos finais do filme. Tenha um pouco de paciência ao término da sessão, pois vale a pena para imaginar qual será o futuro dos mutantes da Marvel no cinema.

 
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