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Maior,
Melhor e Mais Completo
"X-Men
2" aprofunda ainda mais o conflito entre mutantes e a
humanidade
A atual
febre de filmes de super-heróis das histórias
em quadrinhos teve início em 2000, com o lançamento
de X-Men. Tratava-se de uma aposta arriscada
da Fox e da Marvel nos personagens de uma das revistas de
maior vendagem em todo o planeta. Após o lançamento,
a aposta mostrou-se acertada: "X-Men" foi um grande
sucesso e, mais importante, deixou no público um gostinho
de "quero mais".
O público teve que aguardar três longos anos
até poder conferir novamente as aventuras da equipe
mutante no cinema. Neste período outros filmes de super-heróis
das HQs foram lançados e fizeram sucesso, entre eles
Homem-Aranha, Demolidor e Blade. As dúvidas sobre o
filão dos filmes de super-heróis estavam dizimadas
e a Fox apostou ainda mais na sequência. Acertou a permanência
do diretor Bryan Singer, aumentou o período de filmagens
e também o orçamento do novo filme, melhorando
ainda as condições de trabalho da equipe de
produção. O resultado destes aperfeiçoamentos
chega agora às telas de cinema.
Assim como no primeiro filme, em X-Men 2
há uma grande valorização à essência
de ser dos X-Men: o conflito entre a humanidade e os mutantes.
Porém, se no filme original somos apenas apresentados
a esta situação aqui Bryan Singer vai ainda
mais fundo na questão, mostrando reações
de humanos e mutantes ao preconceito existente sob as mais
diversas formas. É a partir de uma destas reações
que a trama do filme tem início, após um mutante
desconhecido invadir a sala do Presidente dos Estados Unidos
na Casa Branca e quase matá-lo. Pressionado pela opinião
pública e pelo próprio medo daquele ser que
facilmente passou pela segurança do homem mais importante
do país, o Presidente autoriza a implantação
de um projeto de grandes proporções que tem
por finalidade localizar e exterminar todos os mutantes da
face da Terra.
Esta ameaça é personificada em William Stryker
(Brian Cox), a pessoa que convence o Presidente da utilidade
do plano contra os mutantes. A personalidade de Stryker, um
personagem que pouquíssimas vezes apareceu nos quadrinhos,
é exibida aos poucos, mostrando também os motivos
ocultos pelos quais têm tanto interesse no projeto.
Com o plano aprovado, o preconceito existente faz com que
a Mansão Xavier seja atacada e os mutantes, em busca
de sobrevivência, precisem esquecer suas diferenças
e se unir para combater a nova ameaça.
A forma como o preconceito entre mutantes e a humanidade é
retratada em X-Men 2 é o grande mote
do filme. Tudo gira em torno dele e a forma madura e realista
com a qual é retratado pelo diretor Bryan Singer faz
com que esta situação seja facilmente comparada
com nossa vida real, permitindo que possamos realizar as mais
diversas analogias. Além disso, mais uma vez é
impressionante o respeito dos produtores e de Singer em manter
fiel a essência das histórias dos X-Men e dos
personagens que orbitam a equipe mutante. Diversas cenas e
situações são verdadeiras homenagens
aos fãs de quadrinhos, que podem conferir nas telas
adaptações muito parecidas de seus personagens
prediletos.
Outro ponto que merece destaque em X-Men 2
é seu roteiro. Não apenas por explorar de forma
bem mais profunda a questão do preconceito, mas também
por apresentar as várias diferenças e características
pessoais dos principais personagens. Há diversas subtramas
dentro do filme, que mostram não apenas o passado dos
personagens como algumas de suas características mais
marcantes dos quadrinhos. Um exemplo é o modo como
Wolverine é apresentado, de forma extremamente violenta
e ao mesmo tempo em seu eterno conflito para não perder
o controle de suas atitudes. Tempestade, por sua vez, demonstra
que já não acredita tão fielmente no
sonho de Xavier, o que é retratado principalmente em
uma conversa que tem com Noturno. Já Jean Grey demonstra
a insegurança que já tinha no filme original
somado ao grande poder que possui. O mesmo ocorre com diversos
outros personagens, como Vampira, Homem de Gelo, Magneto ou
Pyro.
Assim como seu antecessor, X-Men 2 não
é um filme marcado principalmente pelas cenas de ação.
Elas estão lá, em quantidade maior que o filme
original e em qualidade superior, mas servem principalmente
à trama. O mesmo vale para os efeitos especiais do
filme, muito bons mas que não brilham individualmente
e sim se adequam à sua necessidade dentro do roteiro.
Há cenas impressionantes em que eles são utilizados,
como a fuga de Magneto, a primeira aparição
de Noturno e a cena final, que não irei contar para
não estragar a surpresa mas trata-se de uma das passagens
mais marcantes da história dos X-Men nos quadrinhos.
Alterada em relação à sua versão
original, mas com a mesma essência e que empolga tanto
quanto nas HQs.
Por todos estes fatores X-Men 2 conseguiu
uma façanha rara em Hollywood: superou o filme original.
Há agora uma maior divisão entre os principais
personagens dentro do roteiro, cada um ganhando uma melhor
função e utilidade dentro do filme. Sem mais
a necessidade de contar as origens do grupo, o filme tem espaço
para trabalhar melhor a trama e os próprios personagens,
que ganham ainda mais força. As cenas de ação
são bem dosadas, sem serem excessivas nem espalhafatosas,
mas impactantes para quem as assiste. Sem contar que, assim
como no filme original, há diversas citações
ao universo mutante que apenas os fãs das HQs perceberão.
Para eles, um alerta: atenção aos alunos da
Escola Xavier, ao computador acessado por Mística e
às TVs que surgem em cena. Porém, sendo fã
ou não de quadrinhos, por ser um filme mais próximo
da ficção científica do que propriamente
um filme de ação e, acima de tudo, ter um conteúdo
impressionante, X-Men 2 garante a diversão
de quem o assiste e torna o fato de ser baseado numa HQ apenas
um bônus a mais para quem gosta de acompanhar esta cultura
tão subestimada e ao mesmo tempo tão valiosa.
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