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| Sétima
Arte |
por
Francisco Russo |
Quadrinhos
em Movimento
"Sin
City" é a mais fiel adaptação das HQs
já feita
Não
é novidade que Hollywood vive em ciclos. Graças
ao sucesso de Pânico
inúmeros filmes de terror chegaram aos cinemas.
O
Sexto Sentido provocou uma avalanche de suspenses sobrenaturais
e Moulin
Rouge incentivou um revival dos musicais, apenas para
citar exemplos da última década. O ciclo da
moda nos últimos anos é o da adaptação
de personagens dos quadrinhos para o cinema, graças
ao sucesso de Blade
e, principalmente, X-Men.
Inicialmente voltado apenas para os super-heróis,
o ciclo começa a voltar sua atenção também
para as graphic novels que retratam personagens sem superpoderes.
Um deles foi Estrada
para Perdição, outro é justamente
Sin
City.
Sin City
é uma cidade decadente, corrupta em todos os níveis,
afundada em sua própria lama e cujos habitantes tentam
sobreviver na medida do possível. De certa forma lembra
um pouco Gotham City, outra cidade também do universo
dos quadrinhos. A diferença é que se em Gotham
há o Batman para salvá-la, em Sin City não
há ninguém para fazer este serviço. O
que acaba tornando a cidade idealizada por Frank Miller, autor
da graphic novel "Sin City", mais próxima à
realidade.
O universo
de Sin
City é violento e cruel, lembrando bastante o de
Pulp
Fiction. Os três protagonistas, interpretados por
Bruce Willis, Mickey Rourke e Clive Owen, são personagens
que lidam com o submundo tão constantemente que já
nem estranham mais as bizarrices que ocorrem à sua
volta. Eles simplesmente fazem o que precisa ser feito, sob
a ótica própria de cada um.
Apesar
de seu roteiro envolvente, o grande mote de Sin
City é a maneira como o filme foi realizado. Usando
a mesma tecnologia de Capitão
Sky e o Mundo de Amanhã, em que os atores contracenam
diante de uma tela verde e toda a ambientação
é posteriormente introduzida através de computadores,
o visual criado é idêntico ao de uma história
em quadrinhos. Há cenas específicas em que esta
intenção fica ainda mais clara, como a que mostra
o personagem de Bruce Willis na cela ou saindo da prisão.
Esta fidelidade torna-se fundamental pois recria com
exatidão o ambiente idealizado por Frank Miller, que
possui uma identidade visual muito característica,
dosando as cores e manipulando as sombras e enquadramentos
de seus personagens. A busca por esta fidelidade foi tamanha
que a própria graphic novel serviu como storyboard
durante as filmagens, de forma que as cenas ficassem o mais
parecido possível com o exibido nos quadrinhos.
Outro ponto
que chama a atenção em Sin
City é seu elenco, recheado de nomes famosos que
não estão em cena apenas devido ao seu nome,
mas por se encaixarem com seus personagens. Alguns deles,
como Bruce Willis, apenas repetem personagens recorrentes
de sua carreira, mas outros, como Elijah Wood, chegam a surpreender.
No fim
das contas Sin
City é um filme que atrai mais pelo seu visual
do que propriamente por sua história, que ainda assim
é bem interessante. Méritos para o diretor Robert
Rodriguez, fã da graphic novel, que fez da fidelidade
aos quadrinhos uma exigência pessoal para que o filme
fosse realizado.
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