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Sétima Arte
por Francisco Russo

O Anti-Disney
"Shrek" foge da fórmula clássica da animação


É impossível falar de animação sem se lembrar da Disney. O estúdio que produziu clássicos como Branca de Neve e os Sete Anões, Peter Pan e Bambi é por muitos considerado sinônimo de longa-metragem de animação, pela extensa quantidade de filmes que já produziu neste formato. Da mesma forma que atingiu o sucesso, a Disney também criou uma fórmula para seus filmes: personagens corretos, muitas vezes de contos de fada, com mensagens de pano de fundo e, em alguns casos, repleto de canções. O uso intensivo desta fórmula, aliada à falta de criatividade para reformatá-la, fez com que o estúdio perdesse a popularidade na década de 90. Vários filmes de outros estúdios tentaram se aproveitar deste período de baixa, mas o que teve maior sucesso foi justamente aquele que fez questão de seguir a cartilha da Disney ao contrário: Shrek.

Vejamos então: o protagonista é um ogro feio, sujo e sem modos, que em nada lembra os heróis clássicos. A princesa foge do estereótipo da donzela e participa ativamente da história, até mesmo lutando. Os personagens de contos de fada, que aparecem quase sempre em pequenas pontas, são apresentados de forma a descaracterizá-los da fama que possuem. É o que acontece com Pinóquio, por exemplo, que logo de início é vendido por Gepeto, uma situação inimaginável aos fãs das histórias originais. Esta criatividade em desconstruir personagens clássicos é um dos destaques de Shrek, pela surpresa e diversão com que cada situação do tipo é apresentada.

Há também momentos em que a intenção de ser anti-Disney fica ainda mais explícita e torna-se até mesmo uma crítica a esta fórmula. Como a insistência do Burro em cantar, algo que ocorre em inúmeros filmes da Disney, com Shrek sempre rejeitando suas canções. Ou ainda o hilário dueto entre a princesa Fiona e um pássaro, que resulta num final imprevisível e com um certo humor negro. São situações que, mais uma vez, surpreendem pelo inusitado, por fugir ao que tantas vezes já foi repetido nas telas de cinema. Palmas, novamente, à criatividade dos roteiristas.

O filme ainda conta com diversas citações, como o reino de Duloc que lembra a Disneylândia, a luta com os cavaleiros em que Shrek usa golpes típicos de Wrestlemania, os cartazes que ordenam as reações do público e a própria luta da princesa Fiona, claramente inspirada em Matrix. Esta criatividade em subverter os estereótipos dos contos de fada numa história que, no fundo, não é tão diferente assim do convencional, é o grande charme do filme. Aliado a uma boa trilha sonora e uma animação computadorizada de qualidade, Shrek torna-se diversão certa.

 
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