Woody Allen é um dos diretores mais regulares das últimas décadas. Nos últimos 37 anos em apenas 5 não foi lançado um filme que tenha dirigido. O mais recente, Scoop - O Grande Furo, data de 2006 mas apenas agora chega aos cinemas brasileiros. Um atraso que, tratando-se de filmes de Allen, infelizmente tem sido costumeiro. Mas não importa, um novo trabalho de Woody Allen sempre merece uma atenção especial, mesmo que visto com meses - às vezes anos - de atraso.
Scoop marca o retorno de Allen às comédias, gênero ao qual mais se dedicou na última década. O resultado é parecido com boa parte de sua produção recente: um filme morno, inconstante e que sobrevive de alguns momentos de inspiração do roteiro. Foi assim com O Escorpião de Jade, Igual a Tudo na Vida e Dirigindo no Escuro, filme ao qual Scoop mais se assemelha pela existência de boas idéias em uma história mal desenvolvida.
Mas o que faz Scoop ser um filme menor de Allen? O motivo principal é a fragilidade existente em torno da personagem de Scarlett Johansson. Não apenas por sua atuação, que soa exagerada em vários momentos, mas também por um certo desleixo em suas falas e situações, que fazem com que a personagem pareça estar deslocada da realidade. E neste ponto a grande falha não é da atriz e sim do próprio Allen, nas funções de roteirista e diretor. A personagem Sondra Pransky é quase que uma versão feminina da clássica persona de Allen - atabalhoada, frenética e nervosa -, porém é mal aproveitada quando é necessário explorar o lado sedutor da atriz. Torna-se até mesmo contraditório perceber que Allen soube usar tão bem a sensualidade de Johansson em Ponto Final - Match Point e aqui pareça ter certo receio em usar este artifício. As cenas em que Sondra precisa seduzir Peter Lyman, interpretado por Hugh Jackman, são banais, como se os atores não precisassem se esforçar para que seus personagens se apaixonassem. Em um momento mal se conhecem, no seguinte já estão apaixonados. Simples assim.
Por outro lado, a trama ajuda a entreter o espectador. Há um tom cômico que lembra O Escorpião de Jade, aliado à tradicional verborragia dos filmes de Allen e boas piadas que remetem à Inglaterra, país que abrigou o cineasta em seus dois últimos filmes. Aliás, as melhores tiradas pertencem ao personagem de Allen, o mágico Sidney Waterman. E, curiosamente, ele é também o melhor ator em cena. Apesar de manter seu personagem padrão, repetido em todos os seus filmes, Allen se sai melhor do que Scarlett Johansson e Hugh Jackman, que se limita a manter a pose de galã. Destaque também para as cenas do além, simples mas que funcionam bem dentro da história.
Scoop - O Grande Furo não é dos melhores trabalhos de Woody Allen, mas ainda assim é um bom filme. Numa época em que as comédias apostam cada vez mais em cenas escatológicas e piadas apelativas, Allen mantém-se fiel ao seu estilo tradicional e ainda diverte. Mesmo sem estar em plena forma, um novo Allen é sempre superior à média geral dos filmes que chegam aos cinemas.