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Sétima Arte
por Francisco Russo

Feliz Rotina
Pixar acerta mais uma vez com "Procurando Nemo"

Em 1995 chegava aos cinemas uma nova aposta da Disney: Toy Story. Totalmente feito através de animação por computador, algo inédito na época, o desenho foi um tremendo sucesso de público e fez com que uma empresa começasse a ganhar fama internacional: a Pixar Animation Studios.

Oito anos se passaram e a parceria Disney-Pixar segue de vento em popa. Após Toy Story vieram Vida de Inseto, Toy Story 2 e Monstros S.A., todos batendo seguidos recordes de público. A curiosidade por conta da parceria foi que, ao mesmo tempo em que a Pixar cresceu e firmou seu nome no mercado, a Disney viu boa parte de seus projetos em animação se transformar em retumbantes fracassos, como Atlantis, A Nova Onda do Imperador e Planeta do Tesouro. Se no início era a marca Disney que carregava a Pixar hoje a situação é justamente o inverso, existindo até mesmo uma espera ansiosa pelos próximos filmes em animação da Pixar em detrimento dos feitos pela própria Disney. É neste panorama que chega aos cinemas Procurando Nemo, que consegue seguir o alto padrão de qualidade dos filmes anteriores da parceria.

Já há uns bons anos alguns dos melhores filmes produzidos por Hollywood foram feitos em animação. Exemplos do tipo são os dois Toy Story, Shrek, A Fuga das Galinhas, South Park e o pouco visto O Gigante de Ferro. Procurando Nemo consegue entrar nesta lista. O filme consegue unir de forma encantadora diversão com informação, aventura com sentimentos humanos. O público, ao mesmo tempo em que acompanha a saga de Marlin em busca de seu filho Nemo, recebe uma verdadeira aula sobre o oceano e seus habitantes. Se por um lado as aventuras de Marlin e Nemo são inúmeras, por outro há também um profundo conceito emocional no filme, especialmente em relação ao modo como pai e filho se comportam.

Um ponto a se ressaltar é a presença de cenas marcantes pelo choque que proporcionam nos personagens e no próprio público. A sequência inicial, anterior aos créditos do filme, é belíssima e digna de ser comparada a alguns dos grandes momentos da animação da Disney. Mesmo com todos os personagens sendo na sua grande maioria peixes, tartarugas.e outros seres do mar, há neles um caráter humanitário que há muito não se via em filmes de animação da Disney. Pode-se reconhecer em Marlin as mesmas aflições que sofre qualquer pai nos dias atuais com a segurança do filho, o mesmo ocorrendo com a postura por vezes rebelde de Nemo. Estes paralelos fazem com que o filme tenha sempre um contexto emocional bastante forte, o pai em uma busca desesperada pelo filho e o filho, com medo, querendo reencontrar o pai com quem brigara.

Porém engana-se quem acredite que Procurando Nemo seja um filme excessivamente dramático. Há uma grande dose de comédia, principalmente com a personagem Dory, e aventura em toda sua duração. Ainda neste ponto a Pixar consegue se destacar, fugindo de piadas apelativas e até mesmo infantis e apostando em situações cômicas, onde é preciso compreender um pouco melhor o contexto e a própria espécie dos personagens - um exemplo é a cena do primeiro encontro de Marlin e Dory com Bruce, o tubarão.

Algo a também se destacar em Procurando Nemo é o impressionante detalhismo do fundo do mar por parte da Pixar. Há uma variedade de espécies simplesmente exuberante, provocando sequências belíssimas no decorrer de todo o filme e gerando cenas que têm por função única e exclusivamente apresentar ao público toda a diversidade de vida existente naquele local. Certas paisagens impressionam por serem praticamente idênticas a locais reais, mostrando mais uma vez a evolução na arte da animação que a Pixar tem apresentado filme após filme. E ainda há um pequeno detalhe que impressiona: notem como os peixes, fora d'água, mudam de brilho e realmente passam a impressão de estarem molhados em um ambiente seco. Realmente impressionante.

Procurando Nemo é, desde já, um dos melhores filmes lançados nos cinemas em 2003. Um filme para crianças e adultos, feito para divertir, informar e sim, para emocionar. Mais uma prova do alto nível em que a animação mundial está atualmente, não apenas na própria animação mas em especial com relação aos roteiro e à construção de personagens.
 
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