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Sétima Arte
por Francisco Russo

Estranha no Ninho
Jodie Foster retorna em filme que foge ao padrão de sua carreira

Jodie Foster é daqueles raros casos de atores cujo crescimento foi acompanhado pelo público. Ainda criança já atuava em filmes, na adolescência era uma estrela em ascensão, na vida adulta alcançou o estrelato e ainda duas estatuetas no Oscar. Consagrada, resolveu dar uma pausa na carreira no final da década de 90, para viver o papel de mãe. Desde então suas aparições têm sido escassas e nem sempre como protagonista. Plano de Vôo, vale lembrar, é apenas seu 4º filme nesta década.

Conhecendo a carreira da atriz, a pergunta que fica em mente após o término de Plano de Vôo é por que Jodie Foster resolveu atuar neste filme? Não que ele seja ruim, mas é bastante diferente do tipo de projeto com o qual a atriz costuma se envolver. Plano de Vôo é apenas mais dentre tantos suspenses que são lançados ano após ano nos Estados Unidos, que até diverte mas não possui nenhum diferencial que o faça se destacar dos demais.

Uma possibilidade seria o desejo da atriz em trabalhar com um diretor conhecido, algo que a própria Jodie Foster fez recentemente em O Quarto do Pânico, dirigido por David Fincher. Na época Foster chegou a abrir mão da presidência do júri no Festival de Cannes, apenas para poder atuar no longa-metragem. Porém o diretor de Plano de Vôo é o ainda pouco conhecido Robert Schwentke. Outra possibilidade, que acredito ser mais viável, é uma tentativa de retorno à popularidade. Por não estar tão ativa no cinema nos últimos anos, Foster precisaria de um filme que reafirmasse sua presença junto ao público. Plano de Vôo seria o veículo que proporcionaria isto.

Se a tática foi esta, deu certo. Plano de Vôo já acumula US$ 70 milhões em 4 semanas de exibição nos Estados Unidos e tem chances de fazer uma boa carreira no exterior. Trata-se de um filme baseado em uma situação intrigante: o desaparecimento de uma criança em um avião, em pleno vôo. A limitação do espaço físico é bem explorada, fazendo com que a personagem de Foster perambule pelos mais diversos recantos do avião. Porém, esgotado o tema, fica visível a fragilidade do roteiro em resolver o mistério.

Plano de Vôo não é um filme que apele para o sobrenatural, mas sua resolução é decorrente de uma série tão grande de coincidências e planejamentos que fica difícil de acreditar. Até prende a atenção, mas não convence. O destaque fica por conta das reações provocadas pela personagem de Foster junto aos passageiros, em vários momentos divertidíssimos e que lidam com a paranóia decorrente do pós-11 de setembro.

Um bom filme, mas bem abaixo da qualidade que o público se acostumou a esperar de Jodie Foster.
 
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