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Guerra
Para Americano Ver
Pearl
Harbor traz o melhor dos efeitos especiais e o pior de Hollywood
Quando
soube pela primeira vez que Hollywood iria produzir um filme
com potencial de blockbuster sobre o ataque japonês
à base americana de Pearl Harbor, logo tive a seguinte
dúvida: como iriam vender para o público americano
um filme onde o mote central era justamente uma das maiores
derrotas da história militar dos Estados Unidos? Pois,
como se sabe, o cinema hollywoodiano é famoso por suas
"patriotadas" em filmes de guerra, onde o exército
americano sempre sai vitorioso e imponente no final, e a verdadeira
história de Pearl Harbor não permitiria isso.
Com o tempo, mais detalhes sobre a produção
foram sendo revelados. "Pearl Harbor" seria dirigido
por Michael Bay ("A Rocha", "Armageddon")
e produzido por Jerry Bruckenheimer, ambos especialistas em
filmes de ação, e teria um orçamento
astronônico, que ultrapassaria a marca dos US$ 100 milhões.
No elenco um nome já conhecido do grande público,
Ben Affleck ("Gênio Indomável", "Mais
Que o Acaso"), e dois jovens e belos atores cujo cachê
não custaria tanto aos produtores: Kate Beckinsale
("A Viagem") e Josh Hartnett ("Seu Amor, Meu
Destino"). Já a história lembra a de um
grande sucesso de público de alguns anos atrás:
dois jovens pilotos se apaixonam pela mesma mulher tendo o
ataque japonês a Pearl Harbor como pano de fundo.
Se neste exato momento você se lembrou de "Titanic",
acertou em cheio. São muitas as semelhanças
entre o filme dirigido por James Cameron e este novo trabalho
de Michael Bay, a começar pela história: um
caso de amor no lugar e no momento , ou seja,
em meio à uma catástrofe real. Outros pontos
em comum são o astronômico orçamento,
a aposta em atores menos conhecidos - Kate Winslet e, principalmente,
Leonardo DiCaprio apenas se tornaram astros após "Titanic"
- e, é claro, os incríveis efeitos especiais
que permitiriam que o ataque a Pearl Harbor fosse recriado
em cena. Todas estas semelhanças tinham um claro propósito:
repetir também o sucesso que "Titanic" fez
nos cinemas de todo o planeta, que tornou-se o filme mais
assistido na história da sétima arte.
Provavelmente "Pearl Harbor" não fará
tanto sucesso quanto "Titanic", apesar dos mais
de US$ 75 milhões arrecadados em seu primeiro final
de semana nos Estados Unidos. E o grande motivo para isto
é que o filme de James Cameron vence o de Michael Bay
no principal dos quesitos: a qualidade. Se "Titanic"
tinha um casal apaixonado que cativou os espectadores, em
"Pearl Harbor" os casais formados por Kate Beckinsale
com Ben Affleck ou Josh Hartnett simplesmente não convencem,
simplesmente por não haver a menor química entre
eles. Se em "Titanic" havia uma história
que prendia a atenção do público até
que o naufrágio começasse, em "Pearl Harbor"
praticamente tudo o que ocorre antes do ataque japonês
é enfadonho e sem criatividade. E, principalmente,
se "Titanic" tinha um belo final, que emocionou
grande parte do público, em "Pearl Harbor"
o final nada mais é do que catastrófico.
Mas justiça seja feita, "Pearl Harbor" tem
uma grande e excepcional qualidade: seus efeitos especiais.
O ataque japonês a Pearl Harbor é nada menos
do que magistral, com uma riqueza de detalhes poucas vezes
vista em filmes de guerra. Se não conhecêssemos
de antemão o desenrolar da 2ª Guerra Mundial daria
até para sentir pena dos americanos, de tão
massacrante que foi o ataque. E quanto à minha dúvida
inicial, resta apenas dizer que meu questionamento tinha cabimento.
Afinal de contas, "Pearl Harbor" não termina
com o ataque a Pearl Harbor e segue mais além, onde
pode enfim mostrar o imponente exército americano devolvendo
o ataque aos japoneses. Como se vê, Hollywood pode até
mostrar as derrotas militares sofridas pelos Estados Unidos,
mas nunca sem deixar no final a bandeira americana hasteada
dando o sentido de patriotismo ao povo americano, mesmo que
às vezes tenha que esticar por um pouco mais de tempo
a história que deseja contar.
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