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Sétima Arte
por Francisco Russo

Guerra Para Americano Ver
Pearl Harbor traz o melhor dos efeitos especiais e o pior de Hollywood

Quando soube pela primeira vez que Hollywood iria produzir um filme com potencial de blockbuster sobre o ataque japonês à base americana de Pearl Harbor, logo tive a seguinte dúvida: como iriam vender para o público americano um filme onde o mote central era justamente uma das maiores derrotas da história militar dos Estados Unidos? Pois, como se sabe, o cinema hollywoodiano é famoso por suas "patriotadas" em filmes de guerra, onde o exército americano sempre sai vitorioso e imponente no final, e a verdadeira história de Pearl Harbor não permitiria isso.

Com o tempo, mais detalhes sobre a produção foram sendo revelados. "Pearl Harbor" seria dirigido por Michael Bay ("A Rocha", "Armageddon") e produzido por Jerry Bruckenheimer, ambos especialistas em filmes de ação, e teria um orçamento astronônico, que ultrapassaria a marca dos US$ 100 milhões. No elenco um nome já conhecido do grande público, Ben Affleck ("Gênio Indomável", "Mais Que o Acaso"), e dois jovens e belos atores cujo cachê não custaria tanto aos produtores: Kate Beckinsale ("A Viagem") e Josh Hartnett ("Seu Amor, Meu Destino"). Já a história lembra a de um grande sucesso de público de alguns anos atrás: dois jovens pilotos se apaixonam pela mesma mulher tendo o ataque japonês a Pearl Harbor como pano de fundo.

Se neste exato momento você se lembrou de "Titanic", acertou em cheio. São muitas as semelhanças entre o filme dirigido por James Cameron e este novo trabalho de Michael Bay, a começar pela história: um caso de amor no lugar e no momento , ou seja, em meio à uma catástrofe real. Outros pontos em comum são o astronômico orçamento, a aposta em atores menos conhecidos - Kate Winslet e, principalmente, Leonardo DiCaprio apenas se tornaram astros após "Titanic" - e, é claro, os incríveis efeitos especiais que permitiriam que o ataque a Pearl Harbor fosse recriado em cena. Todas estas semelhanças tinham um claro propósito: repetir também o sucesso que "Titanic" fez nos cinemas de todo o planeta, que tornou-se o filme mais assistido na história da sétima arte.

Provavelmente "Pearl Harbor" não fará tanto sucesso quanto "Titanic", apesar dos mais de US$ 75 milhões arrecadados em seu primeiro final de semana nos Estados Unidos. E o grande motivo para isto é que o filme de James Cameron vence o de Michael Bay no principal dos quesitos: a qualidade. Se "Titanic" tinha um casal apaixonado que cativou os espectadores, em "Pearl Harbor" os casais formados por Kate Beckinsale com Ben Affleck ou Josh Hartnett simplesmente não convencem, simplesmente por não haver a menor química entre eles. Se em "Titanic" havia uma história que prendia a atenção do público até que o naufrágio começasse, em "Pearl Harbor" praticamente tudo o que ocorre antes do ataque japonês é enfadonho e sem criatividade. E, principalmente, se "Titanic" tinha um belo final, que emocionou grande parte do público, em "Pearl Harbor" o final nada mais é do que catastrófico.

Mas justiça seja feita, "Pearl Harbor" tem uma grande e excepcional qualidade: seus efeitos especiais. O ataque japonês a Pearl Harbor é nada menos do que magistral, com uma riqueza de detalhes poucas vezes vista em filmes de guerra. Se não conhecêssemos de antemão o desenrolar da 2ª Guerra Mundial daria até para sentir pena dos americanos, de tão massacrante que foi o ataque. E quanto à minha dúvida inicial, resta apenas dizer que meu questionamento tinha cabimento. Afinal de contas, "Pearl Harbor" não termina com o ataque a Pearl Harbor e segue mais além, onde pode enfim mostrar o imponente exército americano devolvendo o ataque aos japoneses. Como se vê, Hollywood pode até mostrar as derrotas militares sofridas pelos Estados Unidos, mas nunca sem deixar no final a bandeira americana hasteada dando o sentido de patriotismo ao povo americano, mesmo que às vezes tenha que esticar por um pouco mais de tempo a história que deseja contar.

 
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