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Espetáculo
Para Olhos e Ouvidos
"Moulin
Rouge" encanta em musical que mescla o antigo e o novo
"Moulin
Rouge - Amor em Vermelho" é um filme diferente.
E não apenas por ser um musical, aquele estranho gênero
cinematográfico onde as pessoas param o que estão
fazendo para simplesmente cantar, sem nenhum motivo aparente.
"Moulin Rouge" é um filme como há
muito tempo não se via no cinema hollywoodiano, justamente
porque faz um convite ao espectador para que ele possa mergulhar
no universo proposto pelo próprio filme. Sim, porque
não são todos aqueles que aceitarão sem
reservas o mundo boêmio proposto pelo diretor Baz Luhrmann,
onde o amor e a liberdade reinam acima de tudo e de todos,
mas quem o aceitar com certeza fará uma viagem mágica
durante as pouco mais de duas horas de duração
do filme.
Para que você possa fazer este mergulho e aproveitar
em toda a sua essência o que propõe "Moulin
Rouge" os vinte primeiros minutos são fundamentais.
Com seu estilo delirante e entrecortado, eles são cruciais
para que o espectador tome sua decisão acerca do filme:
ou mergulha de cabeça e por ele se apaixona ou simplesmente
flutua até seu final. Após este período
o ritmo do filme se acalma um pouco, mas sem nunca permitir
que o filme perca sua força.
Um dos atrativos destes primeiros vinte minutos surge antes
mesmo do início do filme, com a divertida brincadeira
proposta por Luhrmann ao tradicional logotipo da 20th Century
Fox, produtora de "Moulin Rouge". Logo após
somos apresentados à história de Christian (Ewan
McGregor), um jovem escritor que parte rumo a Paris a fim
de conquistar fama e, principalmente, encontrar seu grande
amor. Logo ele conhece a trupe de Toulouse-Lautrec (John Leguizamo),
com quem prepara um musical e parte rumo ao Moulin Rouge para
tentar convencer seu dono, Zidler (Jim Broadbent), e sua principal
estrela, Satine (Nicole Kidman), a montá-lo. Esta é
a história básica dos primeiros vinte minutos,
contada de forma rápida e direta e apresentando logo
em seu início duas das principais características
de "Moulin Rouge": a exuberância visual e
musical. Visual graças ao mundo recriado da cidade
de Paris em pleno ano de 1900, onde até mesmo um quarto
em forma de elefante foi montado em estúdio, e musical
graças à excepcional trilha sonora que conta
com verdadeiros clássicos do pop-rock das últimas
décadas, que surgem das maneiras mais inovadoras possíveis
ao longo do filme.
Mas "Moulin Rouge" não seria nada mais do
que belos cenários e uma boa trilha sonora se Luhrmann
não tivesse encontrado bons intérpretes para
seus protagonistas. E após muitos testes os escolhidos
foram justamente Nicole Kidman e Ewan McGregor, atores que
nunca haviam participado de musicais antes e que cantam de
forma explêndida muitas das músicas que fazem
parte da trilha sonora. Há ainda em Kidman e McGregor
algo extremamente raro no cinema atual e que funciona explendidamente:
ambos interpretam seus personagens de forma que um realmente
esteja apaixonado pelo outro. Esta química existente
entre os dois faz com que a história de amor e paixão
entre seus personagens ganhe ainda mais força nas telas,
ressaltando ainda mais seus belos desempenhos no filme.
Outro ponto que merece ser ressaltado é a revolução
que Baz Luhrmann promoveu na parte musical de seu novo filme.
Ao utilizar músicas recentes em sua trilha sonora,
sendo que a grande maioria delas nem havia sido composta no
ano em que se passa o filme, Luhrmann apostou em músicas
já conhecidas, que estão no inconsciente coletivo
das pessoas e que poderiam ser facilmente reconhecidas por
quem quer que fosse assistir ao filme. É justamente
por este motivo que encontramos músicas dos Beatles,
do Nirvana, de David Bowie, do U2, de Madonna e de muitos
outros em diálogos e canções que surgem
repentinamente, surpreendendo o grande público até
pela inteligência em como estas mesmas canções
foram inseridas no próprio filme.
Fazendo um grande resumo sobre o que é o filme, definiria
"Moulin Rouge" como sendo uma grande experiência
que todos precisam vivenciar. Os mais puristas podem reclamar
das mudanças feitas em certas músicas, outros
podem reclamar do ritmo acelerado do início do filme,
mas o fato é que dificilmente você assistirá
"Moulin Rouge" e sairá sem algum tipo de
reação, para o bem ou para o mal. Mas se você
gosta do bom cinema e acompanhou ao menos um pedaço
dos grandes sucessos musicais das últimas décadas,
dificilmente não sairá encantado com o que "Moulin
Rouge" lhe apresenta.
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