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por Francisco Russo

Espetáculo Para Olhos e Ouvidos
"Moulin Rouge" encanta em musical que mescla o antigo e o novo

"Moulin Rouge - Amor em Vermelho" é um filme diferente. E não apenas por ser um musical, aquele estranho gênero cinematográfico onde as pessoas param o que estão fazendo para simplesmente cantar, sem nenhum motivo aparente. "Moulin Rouge" é um filme como há muito tempo não se via no cinema hollywoodiano, justamente porque faz um convite ao espectador para que ele possa mergulhar no universo proposto pelo próprio filme. Sim, porque não são todos aqueles que aceitarão sem reservas o mundo boêmio proposto pelo diretor Baz Luhrmann, onde o amor e a liberdade reinam acima de tudo e de todos, mas quem o aceitar com certeza fará uma viagem mágica durante as pouco mais de duas horas de duração do filme.

Para que você possa fazer este mergulho e aproveitar em toda a sua essência o que propõe "Moulin Rouge" os vinte primeiros minutos são fundamentais. Com seu estilo delirante e entrecortado, eles são cruciais para que o espectador tome sua decisão acerca do filme: ou mergulha de cabeça e por ele se apaixona ou simplesmente flutua até seu final. Após este período o ritmo do filme se acalma um pouco, mas sem nunca permitir que o filme perca sua força.

Um dos atrativos destes primeiros vinte minutos surge antes mesmo do início do filme, com a divertida brincadeira proposta por Luhrmann ao tradicional logotipo da 20th Century Fox, produtora de "Moulin Rouge". Logo após somos apresentados à história de Christian (Ewan McGregor), um jovem escritor que parte rumo a Paris a fim de conquistar fama e, principalmente, encontrar seu grande amor. Logo ele conhece a trupe de Toulouse-Lautrec (John Leguizamo), com quem prepara um musical e parte rumo ao Moulin Rouge para tentar convencer seu dono, Zidler (Jim Broadbent), e sua principal estrela, Satine (Nicole Kidman), a montá-lo. Esta é a história básica dos primeiros vinte minutos, contada de forma rápida e direta e apresentando logo em seu início duas das principais características de "Moulin Rouge": a exuberância visual e musical. Visual graças ao mundo recriado da cidade de Paris em pleno ano de 1900, onde até mesmo um quarto em forma de elefante foi montado em estúdio, e musical graças à excepcional trilha sonora que conta com verdadeiros clássicos do pop-rock das últimas décadas, que surgem das maneiras mais inovadoras possíveis ao longo do filme.

Mas "Moulin Rouge" não seria nada mais do que belos cenários e uma boa trilha sonora se Luhrmann não tivesse encontrado bons intérpretes para seus protagonistas. E após muitos testes os escolhidos foram justamente Nicole Kidman e Ewan McGregor, atores que nunca haviam participado de musicais antes e que cantam de forma explêndida muitas das músicas que fazem parte da trilha sonora. Há ainda em Kidman e McGregor algo extremamente raro no cinema atual e que funciona explendidamente: ambos interpretam seus personagens de forma que um realmente esteja apaixonado pelo outro. Esta química existente entre os dois faz com que a história de amor e paixão entre seus personagens ganhe ainda mais força nas telas, ressaltando ainda mais seus belos desempenhos no filme.

Outro ponto que merece ser ressaltado é a revolução que Baz Luhrmann promoveu na parte musical de seu novo filme. Ao utilizar músicas recentes em sua trilha sonora, sendo que a grande maioria delas nem havia sido composta no ano em que se passa o filme, Luhrmann apostou em músicas já conhecidas, que estão no inconsciente coletivo das pessoas e que poderiam ser facilmente reconhecidas por quem quer que fosse assistir ao filme. É justamente por este motivo que encontramos músicas dos Beatles, do Nirvana, de David Bowie, do U2, de Madonna e de muitos outros em diálogos e canções que surgem repentinamente, surpreendendo o grande público até pela inteligência em como estas mesmas canções foram inseridas no próprio filme.

Fazendo um grande resumo sobre o que é o filme, definiria "Moulin Rouge" como sendo uma grande experiência que todos precisam vivenciar. Os mais puristas podem reclamar das mudanças feitas em certas músicas, outros podem reclamar do ritmo acelerado do início do filme, mas o fato é que dificilmente você assistirá "Moulin Rouge" e sairá sem algum tipo de reação, para o bem ou para o mal. Mas se você gosta do bom cinema e acompanhou ao menos um pedaço dos grandes sucessos musicais das últimas décadas, dificilmente não sairá encantado com o que "Moulin Rouge" lhe apresenta.
 
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