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| Sétima
Arte |
por
Francisco Russo |
Variações do Mesmo Tema
"Missão Impossível 3" repete elementos da série, mas diverte
Quando Missão Impossível 2 foi lançado, Tom Cruise declarou que gostaria que cada filme da série tivesse um diretor diferente. A justificativa era que desta forma os filmes teriam o toque pessoal de cada diretor, o que serviria para diferenciá-los. A fórmula foi seguida para Missão Impossível 3, que tem mais um novo diretor, desta vez J.J. Abrams. O que Abrams fez de diferente em relação a Brian De Palma e John Woo, diretores dos filmes anteriores da série, era a grande questão em torno deste lançamento.
Estreante no cinema, J.J. Abrams tem vasta bagagem na TV. Criou as séries "Felicity", "Alias" e "Lost", com a última tendo se tornado uma febre mundial. O currículo de Abrams, especialmente ao rodar cenas de ação em episódios de suas séries, indicava que seu caminho como diretor de Missão Impossível 3 seria este. O filme confirma esta aposta. Missão Impossível 3 é um filme de ação ininterrupta, em que o agente Ethan Hunt e sua equipe precisam enfrentar desafios em vários recantos do planeta. São pouquíssimos os momentos que os principais personagens não estão em ação ou em tensão decorrente de momentos de ação.
A influência de Abrams é notada não exatamente pelas várias cenas de ação, mas sim pelo modo como foram rodadas e encaixadas na trama. Um exemplo é a cena inicial, que traz Ethan Hunt preso à uma cadeira enquanto o vilão Owen Davian conta pausadamente até 10, ameaçando matar a esposa de Hunt caso este não lhe revele uma informação. A cena é propositalmente longa, de forma a causar aflição ao espectador. Posteriormente ela retorna à trama, não na íntegra, mas de forma que o espectador possa ter outra visão sobre aquele momento. Trata-se de uma cena típica de "Lost", onde uma mesma situação provoca opiniões diferentes ao ser analisada sob outro prisma.
A contratação de Abrams mostrou-se um acerto também por dar novo fôlego a aspectos surrados da série. "Missão Impossível" é um pouco como os filmes da série 007, ou seja, reúne elementos que sempre estarão em cena, independente do diretor. Sempre haverá uma nova equipe formada para uma missão de espionagem, sempre haverá cenas de ação impossíveis, sempre haverá o uso das máscaras como forma de confundir inimigos - e o espectador também, diga-se de passagem. Abrams sabia disso e soube usar bem os clichês da série. Um exemplo é a divertida cena do Vaticano, que mostra até mesmo como as famosas máscaras são feitas.
Divertido parece ser a palavra que melhor define Missão Impossível 3. A ação ininterrupta, a tensão, as parafernálias tecnológicas, as sequências impossíveis têm por objetivo apenas entreter o espectador. O que não é pecado, vale lembrar. Missão Impossível 3 ainda conta com a boa atuação de Philip Seymour Hoffman, que rouba as cenas como o vilão Owen Davian, e uma trama romântica como pano de fundo, que fala sobre a vida dupla de Ethan Hunt e lembra um pouco True Lies. Nada muito complicado, mas suficiente para segurar um bom filme-pipoca como este.
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