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Dura
Comparação
Alta
expectativa gerada pelo 1º filme acaba prejudicando "Matrix
Reloaded"
Em 1999
um filme chegou de mansinho aos cinemas e acabou provocando
uma verdadeira revolução na sétima arte.
Este filme era Matrix, sucesso absoluto de
público e crítica. Meses mais tarde, este mesmo
filme surpreendia na noite de entrega do Oscar após
abocanhar as estatuetas das quatro categorias as quais concorria.
Com um detalhe extra: o maior vencedor da noite, Beleza
Americana, havia ganho 5 Oscars, ou seja, apenas
um a mais que Matrix. Além disso,
Matrix serviu de inspiração
para diversos filmes, que passaram a copiar descaradamente
o formato de suas cenas de ação ou até
mesmo o visual futurista de seus personagens. Definitivamente
Hollywood havia mudado após seu lançamento.
Quatro anos mais tarde, chega aos cinemas sua primeira sequência,
Matrix Reloaded, prometendo revolucionar
novamente a sétima arte. A ansiedade do público
pela continuação da história de Neo e
sua trupe é gigantesca e, se por um lado ela tem ajudado
a transformar o novo filme em um grande sucesso de público,
por outro acaba atrapalhando por gerar em Matrix Reloaded
uma expectativa alta demais.
Não que Matrix Reloaded seja um filme
ruim, pois definitivamente não é. Trata-se de
um filme muito bom, que respeita seu original, revela novos
segredos sobre o mundo das máquinas e a própria
matrix e ainda dá o passo adiante para que a história
seja concluída, no desde já aguardadíssimo
Matrix Revolutions. Porém, Matrix
Reloaded não possui um fator que em muito
ajudou o estupendo sucesso de Matrix: a novidade.
Se justamente por não ter sido muito badalado antes
de seu lançamento Matrix pôde
se tornar a surpresa que foi, surpreendendo graças
à sua trama envolvendo múltiplas realidades
e um futuro apocalíptico, aqui isto não acontece.
Matrix Reloaded possui cenas de ação
empolgantes e vibrantes, revela novidades para os fãs
da mitologia existente em torno do filme, mas não chega
a surpreender. Ao menos não tanto quanto o filme original.
Matrix Reloaded segue a mesma linha do primeiro
filme, mesclando muita informação em sua 1ª
hora e cenas de ação das mais variadas em sua
reta final. A diferença principal entre os dois filmes
é que, se no original esta 1ª hora surpreendia
com revelações impactantes e inesperadas, em
Matrix Reloaded ela revela novidades sobre
o "universo Matrix" mas, devido ao público
já ter uma noção sobre a realidade mostrada
no filme, não chega a impressionar tanto. Ainda assim
explicações sobre a existência da Oráculo
apenas na matrix e o porquê da própria existência
da personagem dentro do sistema são bastante interessantes
e prendem a atenção.
Porém, o que há de mais impressionante em Matrix
Reloaded é justamente a sua segunda metade,
onde os irmãos Wachowski demonstram toda a sua habilidade
em realizar cenas de ação. É aqui que
pode ser melhor percebido onde e como foram gastos os quase
US$ 300 milhões destinados ao orçamento dos
dois novos filmes da série, com cenas de ação
eletrizantes e que realmente deixam o público de queixo
caído. Duas delas merecem uma atenção
maior: o combate entre Neo e dezenas de Smith's e a cena de
perseguição na auto-estrada. Enquanto que na
primeira os Wachowski oferecem ao público um verdadeiro
balé coreografado, onde os golpes dos personagens nunca
se repetem e cada segundo provoca uma nova surpresa, a segunda
nada mais é do que uma perseguição de
17 minutos onde Morpheus e Trinity precisam enfrentar agentes
e um novo vilão para salvar um importante personagem
da trama. Ambas empolgantes e que merecem estar ao lado das
melhores cenas de ação do filme original.
Além disso, um ponto que pode ser claramente percebido
em Matrix Reloaded é a utilização
do humor por parte dos Wachowski em diversas cenas do filme.
Cenas como o encontro com Merovingian e, posteriormente, com
Persephone ou a própria luta de Neo contra os Smith's
possuem seus momentos engraçados, que surpreendem também
por serem inusitados. Outra mudança percebida é
o comportamento do trio principal de personagens. Neo, por
exemplo, tem bem menos espaço no novo filme, apesar
de agora ter seus poderes muito mais desenvolvidos e aparecer
em mais cenas de luta. Trinity, por sua vez, deixa um pouco
seu lado de combatente para protagonizar um tórrido
romance com Neo, que acaba sendo um dos pilares da trama.
Já Morpheus tem suas crenças religiosas questionadas,
assumindo ainda mais sua postura de líder da resistência
humana contra as máquinas. Em relação
aos dois últimos, a mudança de postura pode
também ser exemplificada pelo modo como ambos agem
quando encontram agentes pela frente. Se em Matrix
havia a recomendação expressa para fugir sempre
que um agente era encontrado, aqui tanto Morpheus quanto Trinity
não fogem da luta e os enfrentam sem pensar nas consequências.
Em relação aos agentes, em Matrix Reloaded
fica claro o quão prejudicial para eles dentro do filme
foi a saída de Smith. Os agentes continuam tão
perigosos e mortais quanto no filme original, mas o carisma
fornecido por Hugo Weaving está longe de ser sequer
sugerido pelos demais atores. Algo que é até
mesmo proposital por parte dos Wachowski, que deixam bem claro
que o grande inimigo de Neo é realmente Smith. As poucas
vezes em que Hugo Weaving aparece em cena são marcantes,
sempre travando intensos duelos contra seu arquiinimigo. E,
pelo que se vê no trailer de Matrix Revolutions
exibido após os créditos finais, pode-se esperar
para o terceiro filme um grande e decisivo duelo entre os
personagens.
Analisando como um todo, Matrix Reloaded
é um grande filme que comete um grande pecado: não
se iguala ao filme original, e sofre justamente ao ser derrotado
nesta comparação. Um pecado na verdade até
mesmo compreensível, ao analisar a situação
em que os dois filmes foram produzidos e lançados.
Mais uma vez a "filosofia Matrix" está presente,
agora bem menos impactante mas ainda assim interessante, e
mais uma vez a trama provoca dúvidas que são
motivo para muita reflexão e discussão após
o filme. Novamente a barreira dos efeitos especiais é
rompida, com inovações e cenas de ação
que fazem com que os espectadores fiquem boquiabertos e se
divirtam alucinadamente. E, pela 2ª vez, os irmãos
Wachowski conseguem recriar o fascínio em torno de
uma mitologia que já está, desde 1999, marcada
na história do cinema.
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