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Recauchutagem
Desnecessária
Desgaste
e repetições atrapalham "A Máfia
Volta ao Divã"
Uma das
maiores surpresas de 1999 foi o sucesso de Máfia
no Divã, despretenciosa comédia estrelada
por Robert De Niro e Billy Crystal que explorava os clichês
dos famosos "filmes de mafiosos". A idéia
em si nem era original, já tendo sido explorada anteriormente
em O Analista do Chefão (1997), mas
o impacto de ver Robert De Niro fazendo rir foi tamanho que
garantiu a fama do filme.
De Niro, consagrado por personagens dramáticos como
os que interpretou em Touro Indomável
e O Poderoso Chefão 2, havia feito
poucas comédias em sua carreira até então,
sendo que a grande maioria delas havia fracassado. A história
começou a mudar justamente com Máfia
no Divã. Interpretando o tipo durão,
que se acostumou a fazer em diversos de seus filmes, e explorando-o
em situações contrastantes com sua personalidade,
o ator fez sucesso em Máfia no Divã
e descobriu um novo filão para sua carreira: a comédia.
Logo em seguida engatilhou Entrando Numa Fria
e Showtime. Até que resolveu fazer
as continuações de seus principais filmes nesta
atual fase, este A Máfia Volta ao Divã
e o ainda inédito Meet the Fockers,
sequência de Entrando Numa Fria.
Em relação aos aspectos financeiros, uma sequência
para Máfia no Divã era até
mesmo previsível. O filme original custou US$ 30 milhões
e rendeu mais que o triplo disto, apenas nas bilheterias dos
Estados Unidos. O sucesso de Entrando Numa Fria
mostrava que Máfia no Divã
não era apenas um fenômeno isolado e sim que
o público queria ver De Niro atuando em comédias.
Billy Crystal e o diretor Harold Ramis, de carreiras instáveis,
estavam dispostos a repetir a dose. Tudo conspirava a favor,
mas esqueceram o fundamental: uma boa história.
Ao assistir A Máfia Volta ao Divã
é visível a intenção dos produtores
em fazer tudo exatamente igual ao filme original. Os confrontos
ideológicos entre Crystal e De Niro, a terapia do chefão
Paul Vitti, o envolvimento de Ben Sobel com a máfia,
o descontentamento de Laura com a proximidade entre Vitti
e Sobel... tudo está lá, novamente. Porém
o desgaste dos personagens e da própria história
faz com que o filme perca completamente o frescor que Máfia
no Divã tinha. Se no filme original o relacionamento
de Sobel com Vitti divertia pela dualidade do psiquiatra em
tratar de um paciente e temê-lo por saber que ele é
um importante integrante da máfia local, aqui este
relacionamento é bastante diluído, com um tratamento
muito mais cordial entre os dois personagens. A idéia
do psiquiatra cuidando de um integrante da máfia não
é mais novidade nem mesmo para os próprios personagens,
já que todos conhecem Ben Sobel do filme anterior e
não existe mais o estranhamento natural que esta questão
trazia originalmente na própria máfia. Isto
sem falar da personagem de Lisa Kudrow, que agora mal tem
função na trama e apenas aparece em algumas
cenas reclamando de Paul Vitti - antes ao menos ela proporcionava
o casamento do psiquiatra que era atrapalhado pelo chefão-paciente.
Com isso, apesar das situações se repetirem
de forma muito parecida, o que se vê em A Máfia
Volta ao Divã é um amontoado de piadas
sem graça e auto-referentes ao primeiro filme, sendo
que em momento algum consegue superá-lo. O público
desta vez reclamou e fez com que o filme fosse um fracasso
nas bilheterias, arrecadando justamente um terço do
filme original. Um sinal de que, se Robert De Niro pretende
continuar no ramo das comédias, precisa ao menos se
dedicar mais em encontrar uma boa história do que tentar
repetir velhas e desgastadas fórmulas de sucesso.
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