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Sétima Arte
por Francisco Russo

Aventura Caça-Níquel
A Lenda do Zorro" perde o frescor e o humor do 1º filme

A Máscara do Zorro foi um dos principais sucessos de 1998. Divertido, o filme consolidou a carreira de Antonio Banderas em Hollywood, trouxe Anthony Hopkins em grande forma e ainda apresentou ao público Catherine Zeta-Jones. Uma continuação era mais do que esperada, mas levou 7 anos para acontecer. E, infelizmente, o novo filme perdeu a fórmula do original.

Um dos motivos do sucesso de A Máscara do Zorro foi seu roteiro, que apostava na passagem de bastão entre gerações - no caso do herói, passagem da capa e espada. A idéia, apesar de não ser nova, funcionou bem pelo inusitado de ser aplicada em um filme do Zorro e graças principalmente à escolha de Hopkins como mentor e de Banderas como um aprendiz meio palhaço, que ainda estava se habituando com a idéia de ser herói. Boas sequências de ação, um tom bem-humorado à trama e ainda a presença esfuziante da ainda pouco conhecida Catherine Zeta-Jones completavam a fórmula, que revitalizou o tradicional personagem.

Esta idéia não mais existe em A Lenda do Zorro. O personagem de Hopkins sequer é citado na nova aventura e o Zorro atual é um herói consolidado e maduro, já com 10 anos de estrada e sem espaço para trapalhadas. Catherine Zeta-Jones, agora uma estrela de Hollywood, não é mais uma novidade e o humor do filme é colocado para escanteio - há até algumas tentativas com o cavalo Tornado, todas decepcionantes. Sobra o que então? As cenas de ação, que estão aos montes durante a trama mas são no máximo razoáveis.

Porém o maior problema deste A Lenda do Zorro é seu roteiro, batidíssimo. Trata-se de mais uma recriação do ditado "filho de peixe, peixinho é", em que o filho de Zorro idolatra o herói e se decepciona com o pai até descobrir que se tratam da mesma pessoa. Há ainda uma trama paralela envolvendo a personagem de Catherine Zeta-Jones como espiã, que faz com que ela tenha quase a mesma importância que o próprio Zorro. Apesar de fazer sentido dentro do roteiro, fica a impressão de que sua existência se deve mais à necessidade em criar espaço para a atriz do que propriamente por exigência da história.

Com tudo isso A Lenda do Zorro é um filme que decepciona bastante. Trata-se de um filme corriqueiro de herói, que aproveita velhos elementos para apenas fazer mais do mesmo. Só que, neste caso, conseguiu piorar bastante o nível do anterior.
 
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