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| Sétima
Arte |
por
Francisco Russo |
Mera
Desculpa
Michael Bay usa trama de ficção científica
para exibir tiros e perseguições
Alguns
diretores possuem marcas registradas que os acompanham ao
longo de sua carreira. Michael Bay é um deles. O modo
frenético de contar uma história, inspirado
na linguagem do videoclipe e recheado de cenas de ação,
virou o "estilo Michael Bay" de fazer filmes. Se por um lado
Bay consegue fazer boas cenas de ação, por outro
lado pena com "detalhes" como roteiro e boas atuações.
É comum encontrar em seus filmes situações
extremamente exageradas e insólitas, bem como atuações
caricatas. A
Ilha, em parte, não foge à regra.
O início até é animador. A
Ilha se passa no futuro, onde uma pequena comunidade de
seres humanos vive reclusa em um complexo. O planeta foi alvo
de uma contaminação, o que justifica tamanho
controle, sendo que uma loteria define aqueles que partem
para a ilha, um paraíso prometido que servirá
para o repovoamento do planeta. Esta é a idéia
passada a todos os habitantes do complexo, que a princípio
não sabem a verdade: são todos clones, nada
aconteceu com o planeta e que estão ali apenas para
fornecer órgãos às pessoas que pagaram
para que seus clones fossem criados. Uma trama que, bem desenvolvida,
poderia resultar em questionamentos sobre o uso da ciência
e o direito à vida dos clones humanos.
Não é isso que acontece. Apesar de temas como
este até aparecerem em cena, eles não são
aprofundados. Na verdade Bay usa esta trama apenas para trazer
à tona sua principal característica: as cenas
de ação. Muito bem feitas, por sinal, mas banais
em relação ao que se tem feito nos últimos
anos em relação a filmes do tipo. Após
a verdade vir à tona, o que provoca a fuga dos personagens
de Ewan McGregor e Scarlett Johansson, A
Ilha se torna apenas mais um filme de perseguição
e assim permanece até seu final. É muito pouco
para um filme cuja trama prometia tanto, especialmente se
seguisse uma linha tipo Gattaca
- Experiência Genética ou Blade
Runner, mostrando um futuro e analisando situações
provocadas por aquele futuro.
Apesar disto, A
Ilha não chega a ser um filme ruim. Tem boas
cenas de ação, que se não chegam a impressionar
também não decepcionam. Ewan McGregor tem alguns
bons momentos, como o que mostra a conversa inicial entre
seus dois personagens, o original Tom Lincoln e o clone Lincoln
Six Echo, e que em certo momento lembra bastante o personagem
do próprio McGregor em Abaixo
o Amor. Scarlett Johansson brilha pela beleza exuberante
- e só por isso, também porque sua personagem
não exige muito da atriz. Há ainda algumas boas
piadas, especialmente quando os personagens de McGregor e
Johansson chegam ao mundo real, desconhecendo por completo
aquela realidade.
Ao término da sessão a impressão que
A
Ilha deixa é de decepção, pelo que
o filme poderia ser. Se tivesse um diretor que valorizasse
a história, sem se preocupar tanto com explosões
e perseguições, poderia ter sido feito um grande
filme de ficção científica. Até
porque o tema da clonagem humana é algo viável
na atual realidade, o que faz com que o futuro exibido não
seja algo tão impossível assim de acontecer
- não exatamente o modo como acontece no filme, mas
sim em relação ao que acontece. Um filme que
tivesse interesse em tratar deste assunto de forma séria
seria bem melhor do que mais um filme de ação,
como tantos que chegam aos cinemas todo ano, que é
o que A
Ilha acaba se tornando.
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