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A Magia
É Real
A
Pottermania chega ao Brasil
Harry
Potter. A não ser que você tenha estado adormecido
nos últimos anos, com certeza você ao menos já
ouviu falar deste nome. Harry Potter é o protagonista
de uma série de livros escritos por J.K. Rowling,
responsável por um dos maiores sucessos literários
das últimas décadas e que reaproximou um sem-número
de crianças e jovens à leitura. E, após
alguns anos de espera, eis que "Harry Potter e a Pedra
Filosofal", o primeiro livro de uma série
de sete, chega enfim às telas de cinema.
A produção do primeiro filme de Potter foi complicada.
Durante meses o projeto esteve sem um diretor definido, passando
pelas mãos de gente importante como Steven Spielberg,
Terry Gillian e Jonathan Demme. Após
a definição por Chris Columbus ("Esqueceram
de Mim", "Uma Babá Quase Perfeita")
surgiram os primeiros temores de um filme excessivamente infantil,
devido ao envolvimento de Columbus com o gênero no passado.
A segunda complicação foi em relação
à escolha dos atores que interpretariam o elenco mirim
do filme. Com pressões dos leitores de que eles se
mantivessem fiéis ao livro e fossem jovens ingleses,
a produção de "Harry Potter"
entrevistou mais de 60 mil crianças até chegar
ao trio principal do filme, formado por Daniel Radcliff
(Harry Potter), Rupert Grint (Rony Weasley) e Emma
Watson (Hermione Granger). Todos de origem britânica.
As filmagens tiveram então início. A autora
J.K. Rowling decidiu acompanhar de perto todos os detalhes
em torno da produção do filme, temerosa de que
a Warner Bros., produtora da versão cinematográfica,
deturpasse sua criação. O envolvimento de Rowling
foi fundamental para que boa parte do que se lê no livro
chegasse às telas de cinema, mas trouxe ainda uma consequência
que não agradou nem um pouco os fãs de Harry:
devido ao seu trabalho no filme, Rowling atrasou por um ano
a publicação do 5º livro da série,
"Harry Potter e a Ordem de Fênix",
que tem previsão de lançamento para meados de
2002.
Pois eis que "Harry Potter e a Pedra Filosofal",
o filme, enfim chega às telas de cinema. Há
dois meios de se analisar o novo filme de Chris Columbus:
comparando-o com o livro de Rowling e simplesmente se esquecendo
que o livro existe. Mas antes de tudo deve-se comentar o que
há em comum nas duas análises: a exuberância
visual demonstrada a cada minuto do filme é realmente
impressionante. Há a recriação precisa
de locais como a Escola de Magia de Hogwarts e ainda as diversas
cenas mágicas do filme, como o primeiro banquete e
o jogo de quadribol, popular esporte entre os bruxos. Outro
ponto em comum é a boa atuação de todo
o elenco mirim, com destaque especial para Emma Watson,
onde os intérpretes de Harry, Rony e
Hermione passam a impressão que realmente os
personificaram, transmitindo as sensações e
caras e bocas presentes no livro.
Porém, "Harry Potter", o filme, não
é perfeito. Principalmente ao compará-lo ao
livro. Quem já teve a oportunidade de lê-lo irá
perceber claramente simplificações na trama
do filme, que deixou de fora cenas como a montanha-russa do
banco de Gringotes e o crescimento do dragão Norberto.
É visível também uma certa aceleração
com os acontecimentos na tela, já que há muita
história para ser contada e pouco tempo para trabalhar
com calma cada detalhe, como ocorre no livro. Mas neste ponto
deve-se dar um desconto: o filme tem mais de 2 horas e 30
minutos do jeito como está e seria simplesmente inviável
comercialmente adaptar para o cinema todos os detalhes do
livro, devido ao risco de se fazer um filme com quatro, cinco
horas de duração. Isto com certeza pesou na
confecção do roteiro, que procurou ser o mais
enxuto possível sem no entanto deixar de contar a trama-base
do livro.
Por outro lado, "Harry Potter", o filme,
irá agradar plenamente a todos aqueles que não
leram o livro e, por consequência, não percebem
estas comparações. O filme tem uma história
cativante que mostra o início da saga de Harry Potter,
jovem órfão que é criado por seus tios
e descobre, repentinamente, que é filho de bruxos e
que pode estudar em uma respeitada escola de magia para também
se tornar um deles. Isto sem falar no mundo mágico
que cerca Harry Potter, que encanta no livro e também
no filme. Por tudo isso, "Harry Potter e a Pedra Filosofal"
é um filme feito para crianças, adolescentes
e adultos, que respeita os personagens criados por J.K.
Rowling e não decepciona seus fãs. Mas não
se esqueçam: se vocês ainda não leram
"Harry Potter e a Pedra Filosofal", o livro,
não o deixem de fazê-lo. Porque se "Harry
Potter", o filme, diverte e encanta esta mesma sensação
é amplificada em vários níveis nos livros
da série.
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