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Sétima Arte
por Francisco Russo

Mudança de Rumo
Harry Potter chega à adolescência no melhor filme da série

Algo que é preciso ter em mente ao assistir qualquer filme da série Harry Potter é que haverá muitos cortes na história apresentada pelo livro. Não se trata de má vontade dos responsáveis pela série mas sim da própria impossibilidade de transpor tudo para o cinema, ainda mais considerando um livro de mais de 500 páginas e que possui tantas tramas paralelas, como é o caso de "Harry Potter e o Cálice de Fogo". Todos os filmes já lançados passaram por esta situação e, pelo tamanho do 5º e do 6º livro, ela voltará a se repetir nos próximos filmes.    

Apesar dos inúmeros cortes, que limaram subtramas inteiras do 4º livro e diminuíram bastante o desenvolvimento de outras tantas, o básico de "Harry Potter e o Cálice de Fogo" foi mantido. O que há de mais importante está lá: o ressurgimento de Voldemort, a aparição da marca dos Comensais da Morte na Copa de Quadribol, as mudanças de relacionamento entre o trio protagonista, o torneio TriBruxo e suas consequências. Quem já leu o livro em vários momentos fica com a impressão de que falta algo para explicar melhor determinada situação, mas por outro lado a ausência de tantos detalhes permitiu que o filme tivesse um ritmo adequado, sem fazer com que a história fosse corrida, um problema que afetou os dois primeiros filmes da série. Ponto para o roteirista Steven Kloves, que conseguiu enxergar uma linha mestra no meio de tantos acontecimentos do 4º livro.     

Harry Potter e o Cálice de Fogo marca também uma mudança na série do cinema, que já era notada nos livros mas era minimizada nos filmes. Os personagens cresceram e juntamente cresceram os desafios, ampliados pelo clima de tensão que cerca o mundo da magia. O filme mantém este clima sombrio, usando poucas cores e não poupando o público de cenas mais fortes. Nada aterrorizante, mas com certeza mais pesado do que os filmes anteriores - não é a toa que este ganhou a censura de 10 anos por aqui, inédita para a série. O estilo aventura infantil visto nos filmes anteriores não mais existe, até porque a história pede por isso. O acerto de Mike Newell foi manter este clima, ao invés de amenizá-lo de forma a conseguir uma censura mais branda. Ponto para o diretor pela decisão.    

O crescimento dos atores mirins é visível também na melhora de suas atuações. Emma Watson mais uma vez se destaca com sua Hermione, como já havia ocorrido no filme anterior. Daniel Radcliffe aparenta estar mais confortável com a posição de protagonista, lidando bem tanto com as cenas de ação quanto com as cenas do baile. Estas últimas, por sinal, tornam explícita a chegada à adolescência dos personagens. O desespero de Harry e Rony para convidar uma garota a ir com eles ao baile proporciona os momentos mais cômicos do filme, sendo também uma espécie de alívio pelo que a história ainda irá mostrar.    

Harry Potter e o Cálice de Fogo é o melhor filme da série por ser um conjunto de elementos que deram certo. A direção sóbria de Mike Newell, sem excessos, dá o tom sombrio necessário à trama. O elenco como um todo está bem, com destaque entre os adultos para Ralph Fiennes, irreconhecível como Voldemort. Há momentos divertidos, como as cenas do baile; boas cenas de ação, especialmente o duelo de Harry com o dragão no Torneio TriBruxo; e ainda cenas impactantes até mesmo para quem já leu o 4º livro, como o duelo final. Trata-se de um filme muito bom e, especialmente, uma boa adaptação do livro, por conseguir manter o clima que cerca toda sua história. O melhor filme da série, ao menos até o momento.
 
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